ATL 2017
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Portaria 303 – revogação não remendo
“ Não tenho problema em revisar a portaria. Ainda falta quase um mês em que ela continuará suspensa. Vou refletir.Precisamos de decisões, de soluções definitivas. O Supremo Tribunal Federal tem que tomar uma decisão”. Nessa linha foi a fala do Ministro da AGU, Luiz Inacio Adams ao se dirigir aos indígenas reunidos no Ministério da Justiça, nesta manhã do dia 29. Ao pedido unânime das lideranças indígenas de revogação, ele apenas reafirmou que a portaria é apenas uma reprodução do que disse o Supremo Tribunal Federal.
Remendar uma portaria inconstitucional e anti-indígena não é possível. Qualquer tentativa de alterar a portaria, só faria piorar a situação.
Rasgue, revogue, queime, acabe com essa portaria

As manifestações indígenas foram pedindo a imediata revogação da portaria (porcaria). E mais do que isso “rasgue ela. Diga isso pra nós. Isso não é justo. Não aceitamos a portaria”, disse Maria das Flores Kraho, gesticulando indignadamente.
Os indígenas ainda registraram sua indignação pelo desrespeito com que foram tratados “nós não somos bandidos. Precisava chamar uns quinhentos policiais? Porque fecharam as portas na AGU e no Ministério da saúde?, clamou Antonio Apinajé.
Essa portaria em muito se assemelha à proposta de “Emancipação indígena”, proposta pelo general Rangel Reis, então Ministro do Interior, em 1976. A verdadeira intenção era emancipar as terras indígenas e em 20 anos ver um Brasil livre de índios. A reação dos povos indígenas e de seus aliados em nível nacional e internacional foi imediata e contundente. Apesar da resistência, após rasgarem o projeto numa Assembléia Indígena nacional, realizada em Goiás Velho, o então ministro sepultou definitivamente seu projeto. Se espera o mesmo do ministro da AGU, com relação à portaria 303.
Saúde fechada

Diante das evasivas e argumentações inconsistentes dos funcionários do órgão, as lideranças indígenas saíram do diálogo profundamente decepcionados e revoltados.
Para o cacique Marcos Xukuru, foi desrespeitosa a forma como a Sesai tratou a delegação indígena “coloca um substituto já com a intenção de que nada se resolva, que tudo fique como está...Acho negativa e desrespeitosa a atuação da Sesai”. A mesma impressão foi manifestada pelas lideranças dos povos indígenas de Goiás e Tocantins. Em função disso estão solicitando uma audiência com o Ministro da Saúde, para pedir algumas providências urgentes, inclusive com a substituição de funcionários da região.
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Adams, da AGU, foge de indígenas

Portas trancadas
Ao chegar ao prédio da AGU a delegação de indígenas dos estados de Tocantins e Goiás, às 14,30 horas encontraram as portas fechadas. Em vão, tentaram com que elas fossem abertas para que eles pudessem se encontrar o ministro da AGU. Movidos pela decisão de falar com quem assinou a portaria, vieram preparados para passar aí a noite se preciso fosse.
Nas falas duras, não faltaram as gesticulações, o dedo em riste, a batida forte das bordunas sobre a mesa, e o rasgar da portaria em frente aos representantes do governo. O Avá Canoeiro Davi, enquanto rasgava a portaria, pedia para que dissessem ao Adam que o seu povo está aguardando a demarcação de suas terras. Diego Avá Canoeiro complementou enviando um recado a Katia Abreu de que a portaria seria revogada.
As mulheres foram as que fizeram as falas mais veementes " Chame o Adams. Vamos ficar aqui até que ele venha. Nem que precisa ficar a noite toda aqui. Trouxemos nossa boroca para dormir aqui. E vocês vão ficar aqui também. Quando os guerreiros ameaçaram fechar a porta, rapidamente seguranças se postaram ao lado das mesmas.

Logo apos a mobilização na AGU a delegação indígena se dirigiu para o Supremo Tribunal Federal, onde o ministro Ayres Brito estava assinando a revogação da ação de paralisação da hidrelétrica de Belo Monte. a ironia e cinismo dda burocracia ficou manifestada em diversas afirmações, dentre elas a de que não haveria espaço para receber toda a delegação (55 pessoas). Ao que os índios responderam: Não tem problema, nois fica de pé mesmo. Nosso costume na aldeia é reunir toda a comunidade.
Apesar da palavra dos negociadores do governo, várias liderranças manifestaram sua desconfiança: Será que Adams virá?
Egon Heck e Laila Menezes
Povo Guarani Grande Povo
Cimi 40 anos, 28 de agosto de 2012
domingo, 26 de agosto de 2012
Guerreiros da Paz
Os povos Indígenas do Mato Grosso do Sul tiveram
mais uma semana intensa de mobilização
na luta pelos seu direitos, especialmente seus territórios, condição básica
para a verdadeira paz no Mato Grosso do Sul. Os fazendeiros alardearam na
imprensa regional a declaração de guerra contra os Kaiowá Guarani, que estão
retornando às suas terras tradicionais. Descrentes de qualquer avanço na
garantia de suas terras, por parte do governo federal, resta-lhes a fidelidade
a seus lideres religiosos (Nhanderu) que decidem o que fazer.

Diferentemente do que ocorreu há 51 anos, quando se realizou
o primeiro Congresso Camponês, em Belo Horizonte, agora os povos indígenas
estavam ali presentes, articulados, dando seu recado e sua efetiva contribuição
para construir uma unidade das populações de vivem no campo. Naquela ocasião a
população indígena era estimada em menos
de 100 mil pessoas, destinadas ao desaparecimento. Hoje, conforme os últimos
dados do IBGE são quase um milhão,
falando 270 línguas e constituídos em 305 povos. Mas não apenas tiveram
um grande aumento demográfico, como se constituíram em importantes atores
políticos e sociais, protagonistas de importantes lutas no campo.

Protocolaram documentos
no Supremo Tribunal Federal, solicitando
urgência no julgamento dos vários processos envolvendo as terras indígenas,
como Nhanderu Marangatu, Arroio Korá, que já forram homologadas pelo presidente
Lula e que estão liminarmente suspensos.
Na AGU - racismo explícito

Enquanto os indígenas
aguardavam no saguão do prédio, uma senhora, bem vestida, ao sair da porta e se
deparar com os indígenas, mostrou o quanto esse país ainda é racista, ao
declarar "aqui tem mais índio do que gente". Alguns indígenas
imediatamente disseram que ela tivesse cuidado com que fala. Ela apenas apressou
o passo em direção à rua. Esse fato foi relatada ao representante da AGU
No Palácio
do Planalto "pacificar"

Durante quase duas horas
foram feitos os relatos dos acontecimentos pelas lideranças indígenas e
solicitado providências urgentes, especialmente por parte dos órgãos de
segurança, mormente, a Polícia Federal e a Guarda Nacional.
Diante da urgência de medidas de proteção às comunidades e
lideranças ouviram, tanto dos representantes dos órgãos de segurança quanto
da presidente da Funai, a informação de
que não seria possível fazer determinadas ações de segurança devido ao corte de
verbas para as diárias e passagens.
Porém foi anunciado a solicitação de condições para a
presença de efetivo da Guarda Nacional em Paranhos e Iguatemi.
Como a palavra de ordem era "pacificar o Mato Grosso do
Sul", foi anunciado pela secretaria Especial da Presidência da República a
ida de uma delegação do governo federal àquele estado com o intuito de dialogar
com o governo e órgãos locais, na perspectiva de apaziguar a situação,
"sem abrir mão da demarcação das terras indígenas" (Paulo Maldos)
Os guerreiros da paz, tiveram mais uma missão de exigir
justiça, diante da guerra que lhes foi declarada. Aguardam ativamente as
providencias prometidas.
Egon Heck - www.egonheck.blospot.com.br
Povo Guarani Grande Povo
Cimi 40 anos , 25 de agosto de 2012
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Guerra Secular
A guerra
contra os Kaiowá Guarani no Mato Grosso do Sul, declarada secularmente, volta a ser reafirmada. Atualizada, esta guerra genocida,
ininterrupta, ganha contornos inimagináveis em qualquer parte do mundo neste
século 21.

Tem um fazendeiro conhecido aí da
região que falou pra todo mundo aqui: posso até sair, e entregar para os
bugres, mas assim que a poeira baixar, eu lavo essa terra de sangue”, relata um
dos produtores que falaram com a reportagem.Vieira confirma que a contratação
de pistoleiros paraguaios é uma opção para os produtores rurais reagirem. “Eu
acredito que vai ser por aí. A guerra vai começar aí. Eu, como a propriedade lá
não é minha... Se é minha, já tinha índio estendido à vontade aqui”, diz
apontando para o campo às margens da rodovia.”(Midiamax,18-08-2012)
Diante da
eminência de mais ações genocidas, os Kaiowá Guarani reafirmam : “Acreditamos
na paz, somos da paz verdadeira, nos não temos armas de fogos destrutivos à
vida humana. Queremos sobreviver. Por fim, repudiamos reiteradamente a
violências contra a vida humana. Sim,
temos somente nossos cantos e rezas sagradas mbaraka e takua para buscar e
gerar a paz verdadeira à vida humana. Neste sentido, nós vamos e queremos ser
morto coletivamente cantando e rezando pelos pistoleiros das fazendas. Esta é
nossa posição definitiva diante da ameaça de morte coletiva/genocídio/etnocídio
anunciada publicamente pelos fazendeiros da região de faixa de fronteira
Brasil/Paraguai.” (Conselho da Aty Guasu, 18-08-2012)
Andando
pelas aldeias e acampamentos Kaiowá Guarani, os sentimentos afloram em dor e
esperança a cada passo dessa história de resistência e afirmação da vida, em
meio à guerra declarada e a dor manifesta em cada sentimento reprimido, em cada
família rompida, em cada casa destruída, em cada vida partida,
Andamos com
a alma na mão e o coração acelerado pois em cada comunidade, acampada ou
confinada, os gritos de dor ou alegria
se repetiam com muita intensidade.
Em
Laranjeira Nhanderu, onde partilhamos belos momentos de luta e resistência,
encontramos uma comunidade abalada pela morte inesperada do Zezinho. Um forte
vendaval de ressentimentos e sentimentos submersos, emergiram transbordando em
agressões, ódio, lágrimas e disputas. Provavelmente só o tempo irá restabelecer
a paz e harmonia entre todos.
Já em Itay um grupo nos aguardava, com o sorriso largo
e constante dos Kaiowá Guarani. Tomando terere (mate com água fria) relataram
orgulhosos o clima de paz, após a publicação da portaria declaratória da terra.
Porém está tudo parado. Ainda não foi feita a demarcação física. Não entendem
por que a demora da Funai neste aspecto. Também sentem a ameaça de moradores de
uma vila que está dentro da área, e que disseram que iriam colocar veneno na
caixa d’água que abastece a comunidade indígena.
Seguimos
para Guirá Kambi’y, onde nos receberam com ritual, enfrente e dentro da oga
pysy ( casa de reza) que estão acabando de construir.
Nas
periferias de Dourados, vimos as duas áreas retomadas, Boqueirão e Nhum Verá
com muito mais barracos do que em tempos passados. As lideranças relataram com
orgulho o que conseguiram plantar e as pequenas conquistas, dentro de uma
realidade de muita necessidade, caristia e pobreza.
Com Damiana,
guerreira destemida, lutadora incansável,
fomos a mais uma “via crucis”,
caminho da dor, da visita ás cruzes onde estão sepultados seus dois
filhos recentemente mortos por atropelamento. Ela, mais do que ninguém conhece
a dor das estradas que matam. Já teve o marido e três filhos mortos por
atropelamento. E ali está ela o asfalto, a cerca e a cana, resistindo
bravamente, no tekohá Apika’y.

Nos caminhos
da dor há esperança. Nos caminhos da guerra secular enfrentada pelos Kaiowá
Guarani no Mato Grosso do Sul, existem as brisas que suavizam o sofrimento e
não deixam morrer a esperança, mesmo em meio a tantas mortes e violência. A resistência
desse povo da paz sinaliza e nos convoca para outros jeitos de vida, para além
do brutal sistema da acumulação, da agressão á terra e sua gente.
Egon Heck e Laila Menezes
Povo Guarani Grande Povo
Cimi 40 anos, agosto de 2012
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Vivam os Povos Indígenas
Vivam os Povos Indígenas
"Povos Indígenas: aqueles que devem viver"
Nesse mesmo dia, estavam reunidos a comissão encarregada pelo Cimi de delinear um manifesto da entidade, por ocasião do Congresso de comemoração dos seus 40 anos. Seria também a oportunidade de dar visibilidade ao documento "Y Juca Pirama: o índio aquele que deve morrer", lançado no final de 1973, como documento de urgência, denunciando o processo genocida e de extermínio em curso pelo então projeto da ditadura militar-civil.
Borracha neles
Enquanto isso no Mato Grosso do Sul, mais um bombástico anúncio de investimentos e progresso no Estado. A revista Valor Econômico anuncia o investimento de mais de um bilhão de reais. A Cautex Florestal pretende instalar uma usina de beneficiamento de borracha e o plantio de milhões de seringueiras (hevea ), inicialmente no município de Cassilância no Mato Grosso do Sul. As obras serão ainda iniciadas este ano. Inicialmente se prevê o plantio de 40 mil hectares. Porém, como o hectare plantado com seringueira é quatro vezes mais rentável do que o hectare plantado com cana, a previsão é de se chegar ao plantio de um milhão de hectares. Diante de mais esses fabulosos investimentos, surgem uma série de perguntas. Será que a expansão de mais essa atividade anunciada como altamente rentável, se restringirá à região onde irá iniciar a ocupação?. Porque não se concluem urgentemente a demarcação das terras indígenas antes de se anunciar investimentos bilionários?
Os Kaiowá Guarani da Terra Indígena Arroio Korá, no dia internacional dos povos indígenas, 9 de agosto, cansados de esperar pela decisão judicial, retornaram a uma parte de seu tekohá (terra tradicional). Porém, os fazendeiros e pistoleiros atacaram o acampamento sendo que o indígena Eduardo Pires "não conseguiu fugir e está desaparecido..."
"Está comprovado que a terra é nossa, não pode ser assim de continuar matando os Guarani, mas se é para morrer por nosso tekoha, vamos morrer tudo agora", disse o indígena que quando falou com a equipe de jornalismo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). ( sitio eletrônico)
Egon Heck - www.egonheck.blospot.com.br
Povo Guarani Grande Povo
Cimi 40 anos, agosto de 2012
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Raiz primeira, fonte de inspiração e ação, chão de mártires e radical transformação da missão. Homenagem ao Cimi Regional Mato Grosso
Chapada dos Guimarães. “Meca do Ecoturismo”.
O 28º festival de inverno aquece a cidade. Em meio ao agito, um outro espaço sintoniza corações e mentes.
São esperados um pouco mais de 40 participantes da 38ª Assembléia do Cimi Mato Grosso. É o regional primeiro em vários sentidos. No desmonte da missão tradicional, de Utiariti. Do martírio pela nova opção, consolidada na criação do Cimi – Rodolfo Lukenbein e Simão Bororo, em Meruri. Logo depois o martírio de João Bosco e Vicente Cañas. Nele foi realizada a primeira Assembléia de chefes indígenas – Diamantino abril de 1974. Está neste regional o único participante do Encontro dos bispos da Amazônia, realizado em Santarém, em maio de 1972, nosso querido D. Pedro Casaldáliga, felizmente entre nós. Foi deste regional o único indígena que foi membro do Conselho do Cimi, Eugenio Bororo, 1974. É desta região o único indígena eleito deputado federal, Mario Juruna. É deste regional a primeira mulher a ser vice-presidente do Cimi, Ir. Beht Rondon Amarante (1991-95.
Foi deste regional o primeiro presidente do Cimi – Pe. Angelo Venturelli e o primeiro vice, Tomas Lisboa.
É deste regional a raiz de uma nova forma de presença missionária solidária: as irmãzinhas de Foucould, junto aos Tapirapé, desde 1952, portanto há 60 anos. Foi também com esse povo que se iniciou uma nova forma de educação escolar indígena – Luiz e Nice, desde 1973. Foi aqui que teve a primeira Assembléia Regional, em Meruri, em setembro de 1974. Foi deste regional o primeiro secretário executivo – Egydio Schwade, a partir de junho de 1973. Foi neste regional que surgiu o primeiro informativo , Boletim do Cimi, em maio de 1972. Foi neste regional que começou a atuação de leigos junto aos povos indígenas, com as equipes da OPAN, desde 1970, na prelazia de Diamantino.
Temos entre nós pessoas que estiveram no Encontro de Missionários onde surgiu o Cimi, Tomás Lisboa, e missionários que estavam trabalhando junto aos Xavante , como o Pe. Zacarias, há 56 anos.
Foi aqui que se iniciou uma nova política de “contato com grupos isolados (Enawene Nawe – 197 Tomáas Lisboa, Vicente Cañas...))
E assim poderíamos enumerar testemunhos fortes de uma caminhada marcada por suor e sangue, conquistas e esperança, vozes proféticas...Parabéns companheirada do Cimi Mato Grosso -
Egon Heck Cimi 40 anos, Chapada dos Guimarães, 22 de julho de 2012
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Guarani
Kaiowá e Nhandeva levarão denúncias à
OEA
"Não
agüentamos mais, tantas promessas de cada presidente da Funai ou da República
que vem nos visitar prometendo devolver nossas terras, usando de nossas
esperanças para prometer mais prazos de demarcação que nunca são cumpridos. O
que nos chega realmente são mais cruzes para colocar nos túmulos de nossas
lideranças assassinadas pelos fazendeiros do agronegócio.
Por isso, não vamos mais
esperar! Nosso prazo acabou! Vamos fazer a retomada de
nossas terras até o último guerreiro!"

Desta vez não apenas estão fazendo um apelo e dando prazos. Decidiram
por medidas mais extremas, como levar
a denuncia contra o Estado brasileiro à OEA, conforme
expressa o documento da Aty Guasu - "- Diante da
morosidade em garantir nossas terras; da violência a qual nossas lideranças e
comunidades estão submetidas e do genocídio conseqüente desta ausência efetiva
do estado em nos proteger e devolver nossas terras. Decidimos efetivar a
denúncia contra o estado brasileiro na corte interamericana de Direitos Humanos
da Organização dos Estados Americano - OEA."
A questão da não demarcação das terras
Kaiowá Guarani no Mato Grosso do Sul, parece um drama surrealista. É
inacreditável o menosprezo com que os governantes tripudiam sobre as leis e a
Constituição, descumprindo prazos e obrigatoriedade de demarcar todas as terras
indígenas há 34 anos. Tres presidentes
da ditadura militar, e depois cinco presidentes que fizeram e estão fazendo a
transição para a democracia política com ditadura econômica do sistema
neoliberal capitalista. Infelizmente o atual governo segue o mesmo caminho,
sendo provável que Dilma, daqui dois anos e meio diga o mesmo que Lula ao
deixar o governo "Fiquei em dívida com os Guarani"!
Já passaram mais de mil dias, mais de três
anos do prazo para que os relatórios de identificação das terras Kaiowá Guarani
terem sido publicados. O prazo estabelecido pelo Termo de Ajustamento de
Conduta - TAC, assinado pelo Ministério Público Federal, a Funai e lideranças
indígenas estabeleceu a data de 30 de junho de 2009 para que os relatórios
tivessem sido concluídos e publicados. Isso sob pena de multa diária de mil
reais. Ou seja já a Funai-governo deveriam pagar mais de um milhão de reais. Já
seria um bom recurso para agilizar os processos de reconhecimento e demarcação
das terras dessas comunidades.
Outra questão de terra com relação às quais os
participantes da Aty Guasu tomaram um firma decisão foi com relação às terras
cujos processos de regularização estão paralisados em função de decisões
judiciais que nunca são julgadas: "Temos várias terras que já foram
inclusive homologadas e nosso povo continua morando a beira das estradas,
enquanto fazendeiros destroem nossas terras. Em 1 ano vamos recuperar estas
terras que o poder judiciário nos nega violentando nosso povo."
Lista
das lideranças marcadas para morrer
" Sabemos que a organização
criminosa histórica dos fazendeiros tem lista das lideranças indígenas que
serão perseguidos e mortos por mando dos fazendeiros, observamos que em parte
alguns juízes federais da justiça colaboram com os planos e as ações dos
pistoleiros do Mato Grosso do Sul." (idem documento Aty Guasu)
Essa situação de extrema
violência e ameaças contra a vida das lideranças que lutam por seus direitos,
se reflete nos inúmeros assassinatos ocorridos nas últimas décadas. Inúmeras
campanhas nacionais e internacionais foram feitas exigindo providências, que
passam fundamentalmente pela demarcação das terras e punição dos responsáveis
pelos assassinatos.
" Da
policia Federal esperamos uma retratação pelas acusações mentirosas que fez no
inicio das investigações, dizendo que nossas lideranças da Aty Guasu estavam
mentindo quando afirmávamos que Nisio Gomes havia sido assassinado sim".
(idem)
.Revogação da Portaria 303

As lideranças
também se manifestaram decididamente pela revogação da portaria 303 da AGU
" A portaria 303 da Advocacia Geral da União, revela a opção inconseqüente
do governo por aqueles que nos matam e não por nossas vidas. Por isso, exigimos a imediata
revogação da inconstitucional portaria 303!
Não
vamos negociar nossos direitos através de supostas “oitivas” num breve período
de suspensão. Não permitiremos que o ministro Luiz Inácio Adans brinque com o
sangue e a memória de nossas lideranças e o futuro de nossas crianças. "
Conclamação e Certeza da vitória
Os participantes terminam o
documento com proposta de diálogo e
agendas com organismos e entidades e a conclamação da sociedade nacional e
internacional para dizer um Chega a toda essa situação. "Com o Conselho Nacional de Justiça queremos continuar o diálogo,
no entanto, com resultados concretos que melhorem a vida do nosso povo, por
isso propomos uma reunião entre a comissão do CNJ e o conselho do Aty Guasu
para setembro próximo. Por fim, queremos que seja respeitado todas as
indicações que a Aty Guasu fez, seja para a área da Educação, Saúde, Comitê
Gestor, CNJ, CNPI e os controles sociais.
Nosso povo continua unido e forte apesar de todo sofrimento e
perda. Nossa esperança se renova com a força dos nossos Nhanderús e Nhandesys
que garantem que o dia da nossa vitória está próximo.
Conclamamos toda a sociedade nacional e internacional a se
juntar a nós neste enfrentamento contra o poder que destrói a vida, as matas e
os animais. Levem a todos o nosso CHEGA de Fome, CHEGA de Comunidades Atacadas,
CHEGA de Lideranças Mortas.
DEVOLVAM
NOSSAS TERRAS! "
Aty
Guasu Kaiowá e Guarani ,28 de julho de 2012. Aldeia
Rancho Jacaré – Laguna Carapã
fotos de Geraldo Alkmin - CimiMS
Egon Heck, Povo Guarani Grande
Povo, Cimi 40 anos.
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