Na alegria
saltitante das crianças, na resistência resoluta dos adultos, na dor permanente por não poderem ter feito o sepultamento ritual, pois
os criminosos mantém ocultado o corpo. Nisio vive nas árvores frondosas que
acolhem e envolvem a esperança e os barracos, no vento, na brisa leve que
acariciam os corpos guerreiros e nas borboletas coloridas que bailam
permanentemente as margens do rio. Nisio
vive na continuidade da luta por sua terra tradicional, o tekoha Guaiviry.
Dois anos sem o riso e reza do cacique que fazia
brotar a alegria em meio à maior caristia, de seu humilde barraco emergia a
força e energia da resistência.
A recepção
ritual conduzida pelas crianças nos enche de emoção. A alegria delas é
contagiante. Por um sombreado caminho
adentram à mata até um local mais limpo onde duas velas acesas, lembram
os dois anos do brutal assassinato. Naquele local, às 6,30 da manhã do dia 18
de novembro de 2011, tombava Nisio Gomes sob a balas assassinas de dezenas de
pistoleiros. Para celebrar essa data o Conselho da Aty Guasu e representantes
das comunidades que retornaram a suas
terras tradicionais reuniram-se em Guaiviry
para avaliar as diversas situações de luta pela terra, aprofundar a
união entre as comunidades, traçar as estratégias para a garantia de seus direitos,
cobrar justiça prendendo os assassinos para que a impunidade não continue reinando
neste estado. Seus inimigos
declararam guerra. Será necessário muita
reza e a força que vem dos deuses e dos ancestrais. Precisam mais do que nunca
da solidariedade e apoio dos amigos e aliados em todo o mundo.
Yvy Katu e
o fantasma do despejo
Amanhã , dia
20, se esgota o prazo. Os Kaiowá Guarani esperam uma decisão da Justiça Federal, 3ª Região, que confirme o direito inquestionável dessa terra
já demarcada. Esperam que não se
perpetre mais essa vergonhosa violência contra esse povo.
Daqui uns dias estarão celebrando os 30 anos
do assassinato de Marçal de Souza Tupã’i. Em memória dele e de todos os que
tombaram na luta pela terra Guarani nessas ultimas três décadas, esperam que o governo cumpra sua obrigação de
demarcar e garantir as terras com a máxima urgência
Impunidade e omissão
Mais uma vez
cobraram energicamente ação urgente do governo federal e da justiça. Há quatro
anos o professor Rolindo Vera foi
assassinado e seu corpo continua desaparecido.
Os familiares angustiados, exigem
providências. As lideranças denunciaram que o fazendeiro Firmino Escobar voltou a trancar o portão de
acesso ao acampamento, com cadeado, descumprindo decisão da justiça.
Manifestaram
sua revolta pelo omissão do governo na publicação dos relatórios e demarcação
das terras favorecendo a guerra contra eles.
Chatalin,
após ocupar um pequeno espaço próximo à
Terra Indígena Dourados e do acampamento Nhu Verá, no dia de hoje afirmou “Não
queremos guerra, queremos apenas a nossa terra para plantar e viver. Estávamos
em um acampamento pequeno e passando fome. E daqui não vivamos sair mais”
(Diário MS, 19/11/13)
Egon Heck, Povo
Guarani Grande Povo, Cimi –Secretariado,
19 de novembro de 2013