“A criação de milícia é parte do plano de
fazendeiros de Mato Grosso do Sul que planejam uma espécie do que eles chamam
de contra-ataque aos índios que ocuparam suas terras. É o que informa o jornal
Correio do Estado desta sexta-feira (8).”
O presidente da
Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul) fala sobre a “guerra”
...
A verdade
para a Comissão
Certamente a coordenadora da questão indígena e camponesa,
da Comissão Nacional da Verdade, Maria Rita Kehl, teve uma das experiências
mais marcantes nessa sua árdua tarefa de
jogar luzes e visibilidade a essa história de massacres dos povos
indígenas. O que os povos indígenas esperam
é que se faça justiça. O primeiro e fundamental passo é o reconhecimento e
garantia de seus territórios
Depoimento
emocionante de indígena Guarani Ñandeva em defesa de sua
terra, durante a visita de Maria Rita Kehl à comunidade em retomada na Terra
Indígena Yvy Katu.
Nos índio Guarani
sabemos toda historia, vocês conhecem a história do Povo Guarani, e dos Povos
indígenas do Brasil pelos livros, mas nós somos livros, somos livros vivos. Nós
não temos dinheiro nós não temos condição
pra comprar nossas terras de volta, mas temos coragem de dar nossa vida, temos
coragem de dar nosso sangue escorrer nessa terra, pra que a gente recupere
nossa terra. Nós estamos aqui em pé
liderança, nos tamo em pé, mas cheirando o verde ao nosso redor. Qualquer
momento nós podemos perder nossa vida e ai o fazendeiro tem dinheiro tem
recurso para ir lá falar o índio morreu atoa, o índio é vagabundo. Puxa no
livro se nós índio dependia dos branco,
dependia do governo pra sobreviver quando era tudo mato. Nós não DEPENDIA de
NIGUEM pra sobreviver. Nós não precisava pedir terra, nós não precisava pedir
cesta básica, nós não precisava pedir proteção porque nós tinha tudo da
natureza. E o não índio veio e tirou tudo da gente. E agora é nós que somos vagabundo? É nós que
somos invasor? Nós não somos INVASOR. Nós queremos o que é NOSSO. Quanta gente
morreu? Quanta gente derramou sangue? Quanta gente se esparrou por causa da
violência contra o povo indígena.
Ao guerreiro da esperança
Representantes dos povos indígenas de
Goiás/Tocanatins fizeram um ritual em
frente ao hospital em que Dom Tomás
estava se recuperando. Foi um gesto
carregado de gratidão, bondade e esperança:
“Dom Tomás veja que bela e exemplar história de
resistência você está escrevendo e “imprimindo” junto com os Povos Indígenas e
Movimentos Sociais desse País. Um bom pastor, sempre armado com a verdade e
munido com sabedoria cristã; às vezes, voando em céus de turbulências; às
vezes, navegando em águas agitadas ou trilhando os caminhos espinhentos dessa
América Latina. Você nunca se intimidou e nem se curvou diante da arrogância e
da prepotência dos tiranos.
Nesse momento de sua Vida você nos dá maior lição de amor ao próximo. Esse gesto Guerreiro nos fortalece e nos enche de esperança; na certeza que temos que continuar lutando pelas crianças, pelos idosos, pelos empobrecidos e excluídos. A nossa luta por dignidade e Direitos humanos não tem fronteiras e é contínua. Até breve grande Guerreiro da Paz, nós vamos vencer!”
Bem Viver – desafios e perspectivas
Nesse momento de sua Vida você nos dá maior lição de amor ao próximo. Esse gesto Guerreiro nos fortalece e nos enche de esperança; na certeza que temos que continuar lutando pelas crianças, pelos idosos, pelos empobrecidos e excluídos. A nossa luta por dignidade e Direitos humanos não tem fronteiras e é contínua. Até breve grande Guerreiro da Paz, nós vamos vencer!”
Bem Viver – desafios e perspectivas
“Durante a XX Assembleia,
representantes indígenas manifestaram profundas preocupações diante de tais
investidas contra seus direitos pelo Estado brasileiro, com brutal violência,
assassinatos e criminalização. Ao refletirem sobre os setores que os oprimem,
dizem que “se não nos deixarem sonhar, não os deixaremos dormir”. Com
convicção, afirmaram que jamais renunciarão às suas terras. Ao mesmo tempo,
sentem-se encorajados por todos aqueles que deram suas vidas na luta pelos seus
direitos, por avanços conquistados e pela certeza de que jamais serão vencidos.
Esperam continuar com o apoio solidário do Cimi e de mais aliados e amigos.
Com os povos indígenas,
originários de todo continente, Abya Yala, com os quilombolas, populações
tradicionais, campesinos, com os empobrecidos e oprimidos, queremos renovar
nossa profunda convicção de que mesmo que neguem a vida, decepem as árvores, é
da raiz invencível que brotarão flores e frutos, mel e leite, novos projetos de
sociedade, do Bem Viver defendido pelos povos ameríndios” (Carta da Assembléia).
Egon Heck
Cimi Secretariado,
Brasília, 12 de novembro de 2013