Mobilização indígena
nacional
“Nos respeitem.
Respeitem nossos direitos. Não continuem rasgando a Constituição.” Uma semana de intensa mobilização dos povos
indígenas que ocupam Brasília há quase uma semana. O enterro "simbólico"
com rituais verdadeiros de proeminentes inimigos como Kátia Abreu, Ronaldo Caiado, Gleise Hofmann e
Luiz Adams, e a ocupação da Confederação
Nacional da Agricultura-CNA são demonstrações inequívocas de uma luta sem
tréguas na defesa de seus direitos.
O chão tremeu com o
pisar forte e ritmado dos cantos de guerra, e dos gritos repetidos de fora
Katia Abreu. Após o susto inicial, os poucos funcionários se transformaram em
plateia silenciosa e curiosa. Os indígenas permaneceram dentro da sede por mais
de uma hora em rituais, demonstração de união, indignação e gritos. Sem vandalismo
ou violência deram seu recado radical:
Fica uma pergunta sem resposta porque o presidente do
congresso esvaziou a casa em plena semana de comemoração das bodas de prata da
carta magma? Reza o ditado popular: Quem não deve, não teme. Então porque
"fugiram" senhores parlamentares deixando o congresso vazio,
desmarcando todas as sessões?. Afinal a sociedade pode constatar que os povos indígenas apenas lutam para que se compra a constituição, não
são canibais,baderneiros ou cidadãos de segunda categoria. Pelo contrário,
talvez tenham sido os brasileiros de raiz que mais defenderam a Constituição.
Na véspera da comemoração dos 25 anos da Constituição, os povos indígenas, expressaram sua indignação, exigências e esperanças: “repudiamos de público os ataques orquestrados pelo governo da presidente Dilma Roussef e parlamentares majoritariamente ruralistas do Congresso Nacional, contra nossos direitos originários e fundamentais, principalmente os direitos sagrados à terra,territórios e bens naturais garantidos pela Constituição Federal de
A volta vitoriosa
Brasília se enfeitou de
verde para acolher os povos indígenas, no espaço da esplanada dos ministérios,
que já se transformou em patrimônio de luta dos povos originários desse país,
na luta pelos seus direitos.

Em suas bagagens levam, além das armas que sustentam suas
esperanças, arcos, flechas, bordunas, inúmeras lembranças das mobilizações,
registros das falas indignadas, dos momentos de tensão e repressão, das
centenas de militares postados à sua frente para impedir que pudessem entrar na
casa do povo. Levam também a certeza de que voltam às suas terras mais unidos e
articulados e com um apoio muito maior da sociedade brasileira, que não apenas
viu e vibrou com as manifestações, mas que vai também cobrar o respeito aos
direitos e consolidação de um país Plurinacional, respeitador de sua gente
raiz, originária.
Egon Heck e Laila Menezes
Povo Guarani Grande Povo
Brasilia, 6 de outubro de 2013