
Foi de lavar a alma, ver a aquela multidão
serpentear entre os prédios e avenidas, para dizer ao Rio e ao mundo que não
apenas estão vivos e estão aqui, mas que querem por fim à secular dominação e
ajudar a construir um mundo melhor para todos, sem a enganação verde da
economia global neoliberal, a falácia da proteção ambiental e do
desenvolvimento sustentável do grande capital.

A situação mais grave, em termos de violência, assassinatos, fome, desnutrição, dependência, suicídios, é a do Mato Grosso do Sul. E é exatamente a região em que as terras estão sendo assaltadas pelo grande capital, empresas multinacionais como a Bunge, Dreifus, Raizen...estão plantando cana, nas terras Kaiowá Guarani. A denúncia de Oriel, na atividade sobre Direitos à Terra e “Grilagem de terras”. O biodiesel de cana que está movendo uma frota de ônibus aqui no Rio, está sendo movido a sangue indígena, pois é tirado de nossas terras no Mato Grosso do Sul.
O objetivo da passeata, além da dar
visibilidade aos povos indígenas presentes na Cúpula dos Povos, no Acampamento
Terra Livre, foi de deixar seu protesto contra a imposição e implantação dos
grandes projetos que afetam diretamente a vida e sobrevivência dos povos
indígenas. Esses projetos são financiados pelo banco BNDES, dinheiro público.
Por isso foi feito um cerco ao prédio do banco. Depois de rituais de protesto,
o mesmo gesto foi repetido diante do prédio da Petrobras

A
Articulação dos Povos Indígenas no Brasil está coordenando a elaboração de um
documento que será entregue aos chefes de Estado reunidos na Rio +20. Também
estarão participando das plenárias e Assembléias onde está sendo construído o
documento unificado em que ficará definido o posicionamento e as propostas
consensuadas na Cúpula dos Povos com relação à grave ameaça à vida no planeta
Terra.
Apesar dos povos indígenas estarem
enfrentando sérios problemas de infra-estrutura (hospedagem e alimentação)
entendem que esse é um momento histórico em que deixarão seu recado ao mundo.
Seu grito de guerra e de paz.
Egon Heck
Cimi 40 anos – Povo Guarani Grande Povo
Cúpula
Dos Povos, Rio de Janeiro, 19 de junho s012