
Já completaram seis anos desde o momento resoluto e crucial da volta à sua terra natal, no tekohá Kurusu Ambá. Depois de décadas de luta e reivindicação de sua terra, a única opção que lhes restou, para exigir do Estado brasileiro o cumprimento da Constituição demarcando suas terras, foi voltarem para onde as cruzes sagradas de seus antepassados estavam plantadas. Quando no dia 9 de janeiro de 2007, assassinas armas de fazendeiros e pistoleiros tiraram a vida da Nhandesi Xurete Lopes, iniciou-se a “via crucis” mais dolorosa de uma comunidade Kaiowá Guarani, nas últimas décadas. Já foram cinco vidas ceifadas, vários feridos e um rosário de sofrimento sem fim.
A fome e a incerteza
marcaram esses seis anos gerando momentos belíssimos de amor, de solidariedade
e de luta destemida pelos seus direitos. A omissão do governo em avançar com
urgência, na identificação e demarcação da terra e da justiça em punir os
criminosos, fez com que se gerassem tensões na comunidade. E agora, quando buscam um pequeno espaço, dentro do acordo
feito na justiça, para oxigenar a esperança e sarar feridas, são novamente
ameaçados pelo latifúndio e agronegócio.
Voltam a ser ameaçados, odiados e criminalizados, numa das mais sórdidas violências e ataques à vida e direitos de uma comunidade indígena no país.
O cinismo do Estado chega ao ponto de levar ao banco dos
réus vários membros da comunidade, numa
nítida armação, quando sequer foram
concluídos os inquérito dos assassinos
de Xurete, Ortiz e demais lideranças. A impunidade estimula violência, a
omissão gera tensões, a morosidade é criminosa quando põem em risco
a comunidade.
Egon Heck
Cimi, secretariado nacional
Povo Guarani Grande Povo, quaresma de 2013