Kaiowá
Guarani – não agüentamos mais
“Diga ao povo que avance. Avançaremos nas retomadas”. Com
essa determinação os Kaiowá Guarani no
Congresso Nacional em Brasília, deixaram claro sua decisão de não mais ficar
eternamente por decisões e ações que nunca vem.

A Campanha "Eu apoio a Causa
Indígena
A Associação de Juízes pela Democracia, juntamente com o
Cimi, efetuaram, no decorrer deste ano, uma importante campanha de cartas de
apoio aos povos indígenas, conseguindo mais de 20.000 assinaturas. Dentre as
adesões figuram ilustres nomes da luta
dos direitos humanos no país e no mundo.
Uma delegação fez a entrega no gabinete do presidente do STF,
Joaquim Barbosa. Foi manifestado o interesse de dar urgência ao julgamento das
ações que envolvem os direitos dos povos indígenas.
Os três poderes se esmeraram em suas ações sutis ou virulentas
contra os povos indígenas neste ano de 2012. A bancada ruralista e seus aliados
das empreiteiras e mineradoras, depois da vitória no Código Florestal,
investiram todas as suas forças em impedir a demarcação das terras indígenas -
PEC 218 e 038, além de abrir as terras indígenas para a saque dos recursos
naturais, principalmente madeira e minérios - PL 1610.
O Judiciário, especialmente nas instância locais, tem se
mostrado zeloso em julgar com rapidez as
reintegrações de posse contra os índios, e extremamente lento e com decisões
contrárias aos direitos constitucionais dos povos indígenas. Uma das raras
exceções foi a decisão do Supremo Tribunal Federal, reconhecendo o território
dos Pataxõ-Hã-Hã-Hã. Diz se que a justiça tem uma velocidade de onça para os
ricos e de jaboti para os índios e pobres.
"Sem a energia da natureza em
nossa alma"
Oriel Benites, membro do Conselho Continental Guarani, em
pequeno manuscrito, assim expressou seu sentimento com relação à luta que vem
enfrentando, para reconquistarem seus territórios e condições de viverem o seu
teko - jeito de viver Guarani:
“Nós estamos vivendo
sem a energia da natureza na nossa alma, no nosso espírito, até no nosso mundo fisicamente
percebemos isso. Precisamos desse espaço, nossa terra sem males, onde está
derramado um pouco do nosso sangue, osso
e carne, que corrompe sempre naquela
terra que uma boa parte ainda está viva, onde queremos sentir essa força da
natureza no nosso sangue, na nossa vida. Essa necessidade que nos motivou para
lutar porque nossa força em conjunto é imbatível.
A terra onde estão plantadas soja, cana, criação de animais
ou empresas de agrotóxicos, entre outras no Mato Grosso do Sul, essa terra está repleta de sangue indígena. O dinheiro
que os grandes empresários, fazendeiros, garimpeiros, proprietários das
cerrarias e muitos outros proprietários
aqui no Brasil estão manchados de sangue Kaiowá Guarani.
Nós queremos viver de maneira que a nosso cultura, costume e
rituais permite – ar fresco, água da mina, frutas naturais. Essa é nossa santa
ceia que não temos mais por causa da superlotação nas áreas demarcadas pelo SPI
(confinamentos) e a demora da demarcação
da terra Kaiowá Guarani”
A partir do dia 10 deste mês mais uma comissão estará
visitando a situação de genocídio a que estão submetidos os Kaiowá Guarani,
especialmente nas áreas de conflito, retomadas, acampamentos à beira das
estradas e confinamentos. Está prevista uma dezena de deputados e senadores que
estão ouvindo também os não indígenas, fazendeiros, membros do agronegócio e
representantes do Estado.
Egon Heck
Povo Guarani Grande Povo, 8 de dezembro de 2012