Um densa nuvem se formou sobre Brasília no início da tarde
desse dia 6 de março. Parecia sinal de
algo pesado no ar. No Congresso Nacional, na sala da Comissão de Direitos
Humanos, uma disputa acirrada. A presidência da Comissão, de grande importância
para a Casa (e nem tanto para a lideranças de partidos que tradicionalmente
estiveram na presidência desse espaço das aspirações de amplas camadas do povo
brasileiro e aguerridas minorias).

Sala apinhada de manifestantes de combativos setores e
povos, que não admitiam ver a presidência cair em mãos de parlamentar
publicamente defensor de teses racistas, fascista e homofóbicas. O deputado pastor Feliciano do PSC, era o indicado pelo partido
para assumir a presidência. A urna sobre a mesa demonstrava em torno do que
estava havendo disputa. Após algumas manifestações dos parlamentares, a favor
da suspensão da sessão, em função de infringir artigos do regimento interno, e outros,
evangélicos, com pressa de que se consumasse o fato, o presidente da mesa, deputado José Domingos Dutra, suspendeu a
sessão.

Manifestações dentro e fora do plenário da Comissão de
Direitos Humanos exigiam respeito a esse espaço do povo, rejeitando o racismo, evitando retrocesso. Parlamentares
pouco afeitos à democracia, chegaram a expressar seu desejo de que não mais
houvesse a presença de representantes da sociedade organizada, que com apitos e
gritos tentaram impedir a consumação do retrocesso. Importantes manifestações como de Nilmário
Miranda, primeiro presidente dessa Comissão, bem como de Ivan Valente, Jean e
Erika Kokai, tiveram influencia decisiva na suspensão da sessão, transferindo a
votação para hoje.