Mais um decreto de
extermínio. Aliás uma minuta carimbada pelo Ministro da Justiça, com
tonalidades do Ministro Adams,da AGU, em sintonia com os ruralistas e o que de
mais reacionário existe nas elites civis e militares brasileiras.
Quando , em agosto de 1996 o então ministro da Justiça
Nelson Jobim, a título de “agilizar e democratizar” os procedimentos de regularização das terras
indígenas, editou a portaria 1775 houve um grito geral dos povos indígenas e
seus aliados. Seria o começo do fim da demarcação das terras indígenas, além de
ter aspectos nitidamente inconstitucionais. Mobilizações indígenas se deram em
todo o país, exigindo a revogação. A
pressão do movimento indígena e setores da sociedade, fez com que a desgraça
não fosse pior. O primeiro a descumprir a portaria, nos prazos estabelecidos
foi o próprio governo. Mesmo assim alguns processos de demarcação avançaram.
Foi então que o agronegócio entrou em campo para exigir a paralisação total do
reconhecimento das terras indígenas. Consideram
a portaria 1775/96 inconstitucional e pediram sua revogação além de
pedir a extinção da FUNAI.
Com os governos Lula e Dilma se imaginava que a situação não
poderia piorar. Aliás Lula, logo no início de seu mandato, prometeu a demarcação
de todas as terras indígenas até o final de seu primeiro mandato. O que evidentemente não aconteceu até o final
do segundo mandato. Reconheceu que o Estado brasileiro continuava com uma
enorme dívida histórica para com os povos indígenas. Passou a dívida a Dilma.
No final do terceiro ano, tendo no horizonte a Copa do mundo, as eleições, decidiu aumentar e arrolar a dívida com os
povos originários, especialmente no que diz respeito à demarcação e garantia
das terras indígenas. A proposta de minuta do Ministério da Justiça nada mais é
do que o cínico lavar as mãos acatando as genocidas propostas do agronegócio. Algo
maquiavélico.
E a terra vermelha o levou
Ambrosio teve projeção nacional e internacional pela sua
expressiva atuação do Filme “
Terra Vermelha”,
inspirado na luta do processo de retomada da terra, e que procurou retratar
esse aspecto crucial para todos os Kaiowá Guarani, que é a privação de suas
terras. Esse fato certamente teve conseqüências de não fácil dimensionamento.
Guyraroká foi uma das comunidades visitadas por inúmeras
delegações, dentre elas a diretoria do Cimi e o então Secretário da CCNBB, D.
Dimas, hoje arcebispo de Campo Grande.
Na sua aldeia estava previsto a realização de Encontro
Continental Guarani, porém o encontro foi vetado pelo governador do Estado,
vindo a se realizar meses.
depois em Anhetetê,
no Paraná. Porem ficou a “Oga Guasu” grande casa de reza”, cuja construção foi
coordenada por ele
Ambrósio foi uma dessas lideranças que marcou a luta desse povo por seus
direitos, não se livrando das contradições inerentes à sua personalidade e
vítima de toda a estrutura de racismo e ódio que envolve a questão indígena no
Mato Grosso do Sul.
Egon Heck
Povo Guarani Grande Povo
Brasília 3 de dezembro de 2013