
Porque esses
zelosos parlamentares não se apressam em pedir uma CPI da soja, do boi ou da
cana? Esses sim os verdadeiros destruidores do meio ambiente, com intensivo envenenamento da terra e dos rios e
das populações, geradores de processos de violência e expulsão dos camponeses, índios
e quilombolas.
Essa semana
a bancada anti-indígena no Congresso se mobilizou com iniciativas no sentido de
fazer avançar os projetos que visam tirar os
direitos indígenas da Constituição e garantir o avanço dos interesses do agronegócio. Assumiram a
presidência da Comissão responsável pela aprovação do Conselho Nacional de
Política Indigenista -CNPI, solicitaram a formação da Comissão Especial para
dar sequencia à PEC 215 que visa passar para o Congresso a demarcação das
terras indígenas. Assumiram a presidência da Comissão de Direitos Humanos, que
tem sido um espaço dos movimentos sociais. Pastor Feliciano,para a infelicidade
dos povos indígenas, quilombolas, e outras minorias.
Mobilização contra a "ameaça
de demarcação das terras indígenas"
Tacuru,
pacata cidade da fronteira com o Paraguai, teve sua rotina rompida pelo braço do agronegócio
aliado a setores políticos e econômicos locais, mobilizados contra o direito
dos índios à terra. Centenas de locomoveis de diferentes calibres e matizes,
desfilaram pelas ruas da cidade, destilando ódio e preconceito contra os índios
em luta pelos seus direitos e suas terras, e aos que os apoiam.
O
antropólogo do agronegócio,Hilário Rosa, munido com seu arsenal de preconceitos
e interesses pessoais, afirmou que "estão fraudando laudos e importando
índios do Paraguai para reforçar a “massa de manobra” nos processos de invasões
de terras" (Gazetanews, 8-03-2013)
Porque estamos em Brasília
Em carta às autoridades
com as quais solicitaram audiência expressam os motivos que os fizerem voltar ao campo de batalha , em Brasília e
pedem que"
Ñanderu Tupãngusu proteja a viagem dessa comitiva de lideranças Guarani-Kaiowá
que estão levando as demandas urgentes e decisões da Aty Guasu para autoridades
federais de Brasília-DF".

Apesar de não terem conseguido
audiência com o Ministro Joaquim Barbosa, entendem que é ali no Supremo
Tribunal de Justiça, que se encontram os impedimentos da não demarcação onze terras Kaiowá Guarani. Por isso esperam
agilidade deste Tribunal no julgamento das ações.
“Queimaram nossas casas, mataram nossos
parentes, mas não destruíram nossos sonhos”, assim se manifestam os que
sofreram ações criminosas contra as comunidades para desistirem do
reconhecimento das terras indígenas. As violências sofridas pelas comunidades
indígenas continuam impunes.
Em vista de todos os pontos
apresentados, os Povos Indígenas do Estado de Roraima, dada a importância de um
diálogo aberto, franco e transparente, estão requerendo uma audiência das
lideranças indígenas com a Presidenta da República Dilma Rousseff e seus
ministros, para tratar e discutir as demandas, propostas e projetos de
desenvolvimento sustentável para as comunidades indígenas. exemplo disso é a
absolvição dos acusados do assassinato do Macuxi Aldo da Silva Mota, no Tribunal
do Júri em Roraima, que manifestaram opiniões contra a demarcação da Terra
Indígena Raposa Serra do Sol.
Fortalecendo o Bem Viver dos Povos Indígenas com a Terra, a Cultura e o
Meio Ambiente"
Egon Heck
Povo Guarani
Grande Povo
Secretariado do Cimi, Brasília, 16 de março de 2013