Plenária do Supremo
Tribunal Federal lotado. Um bom grupo teve que se limitar acompanhar a votação
dos embargos declaratórios relacionados à Terra Indígena Raposa Serra do Sol,
na sombra do suprema. "Mesmo sem poder entrar com nossos instrumentos
rituais, nós Kaiowá Guarani e todos os povos indígenas, estamos armados com o
que nos resta: muita esperança e a força dos nossas antepassados e nossos
deuses. Nossas vidas e direitos não vão
ser rasgados e pisados", afirmou uma das lideranças indígenas.
Ás 18,30 foi encerrada a 28ª sessão ordinária daquele
egrégio poder. Alívio. Os povos
indígenas puderam respirar, com a esperança oxigenada, recobrando forças para
os próximos embates. A tirania do agronegócio e do latifúndio, não conseguiu
seus intentos anti-indígenas. Os Kaiowá Guarani que permaneceram no plenário
por três horas, receberam a decisão do Supremo no retorno para suas aldeias e
acampamentos. Vibração. Apesar de não ser uma vitória total, afastou os
fantasmas da temporalidade e outros que visavam retirar seus direitos,
especialmente às terras. A luta continua,
no chão do retorno a seus territórios originários e na desintrusão das terras
já demarcadas.
Os povos indígenas esperam que o governo finalmente rasgue e
enterre a portaria 303 e acelere a demarcação, desintrusão e garantia das
terras-territórios indígenas. Ao invés de se dobrar às exigências dos interesses anti indígenas, alterando as
normas do processo de regularização das terras indígenas, tumultuando ou até
inviabilizando as demarcações. Agilize a execução de suas obrigações
constitucionais.
Novos guerreiros
Os jovens e adolescentes Kaiowá Guarani, expuseram suas indignações, revoltas, anseios
e exigências a representantes de vários ministério, parlamentares, ministros e
de órgãos governamentais. "estamos cansados de promessas e de entregar
documentos. Queremos soluções. Não aguentamos mais". Sentiram-se discriminados várias vezes por
não permitirem que entrassem nos espaços do poder, com seus instrumentos
rituais. "Sentimos a discriminação e preconceitos. Vamos levar isso para
nossas aldeias. Nós sempre recebemos bem todo mundo e nunca colocamos condições para entrar nas nossas
casas", desabafou um jovem. Kaiowá.
No documento entregue ao ministro Gilberto Carvalho afirmas " A situação em que nosso povo
está é uma vergonha para um país como o
Brasil, que busca se destacar como uma
potencia mundial. Diversas entidades internacionais já chamaram atenção: o
governo brasileiro não está sendo verdadeiro quando diz que os direitos
indígenas, em nosso país, são respeitados...Pedimos também ao governo federal
que dote posição efetiva quanto ao problema da impunidade em relação às mortes
dos nossos parentes assassinados em conflitos de terra. A memória dos nossos
heróis Jenivaldo e Rolindo Vera, Nisio /gomes, Xurite Lopes, Denilson Barbosa e
tantos outros, clama por justiça."
Yvy Katu - A terra
sagrada de volta
A tensão é grande depois que os fazendeiros contrataram a
empresa de pistolagem - GASPEM, para fazer a segurança na região. Os índios
temem que a qualquer momento possam ser
atacados a tiros com violência e mortes.
Egon Heck
Povo Guarani Grande Povo
Cimi - Brasília 24 de outubro de 2013