Por Egon Heck, Cimi MS

Na retomada da terra indígena Yvy Katu/Porto Lindo lutastes
heroicamente para garantir um futuro para os netos de teu povo.
Muitas lutas pela frente, agora és um guerreiro de asas chamado
pelo Nhande Ru para continuar a luta, agora em outra dimensão.
Fica a saudade dos inúmeros encontros, reuniões, viagens, rodadas de tereré e chimarrão, dos telefonemas para atualizar as informações nas trincheiras da esperança ou apenas para desejar um boa noite.
Lembro com imenso carinho das longas conversas sobre a
recuperação dos diversos tekohá, quando no início da década de 80 fizestes com
os rezadores e lideranças o planejamento do retorno ao seu território
tradicional, resultando no êxito de todas as ações, sem nenhuma morte de seus líderes.
Isso só foi possível com muita reza e ritual.
enas Guarani e Kaiowá para serem demarcadas. No dia seguinte um ônibus com caciques e lideranças foi a Brasília exigir providencias imediatas. Foi então que se constituiu o CAC (Compromisso de Ajustamento de Conduta) e posterior a publicação das portarias dos GT, para demarcação das terras Guarani e Kaiowá.
Rosalino, você voltou para a terra sem males sem ver a sua terra definitivamente demarcada. O seu coração parou mais a luta continua. Nos solidarizamos a sua família, seu povo. Assim também nos solidarizamos a todos os povos que perderam seus entes para a COVID19.
O CIMI nestes 50 anos de história reafirma o
compromisso com a defesa dos direitos dos povos indígenas.
Dourados, 26 de junho de 2021.
Fotos Egon Heck/Cimi