Em tom
dramático, mostraram as marcas da violência. Pedro mostrou onde penetrou a bala
que se encontra alojada perto de seu coração. Leila, de Yvy Katu, na fronteira
com o Paraguai, expressou a dramaticidade da luta que enfrentam na reconquista
de seus territórios. Clamou por socorro, por solidariedade.
Na roda de
conversa sobre a defesa do cerrado, contra o uso dos agrotóxicos e transgênicos
na produção de alimentos, foi aprovada uma nota de repúdio e moção de
solidariedade ao povo Guarani-Kaiowá do Mato Grosso do Sul (veja íntegra da nota/moção).
Foi feito um minuto de silêncio em homenagem aos que tombaram, aos que se tornaram
sementes do futuro.
A doce rebeldia e a sagrada teimosia
Momento de
memória, amor e compromisso. A noite foi chegando na dança dos estandartes dos
mártires presentes, ao clarão da lua e o tom suave do “luar do sertão”. Melodia
conectando os corações no fogo da memória perigosa dos mártires da caminhada.
Chega Pedro, chega Maria, chega a multidão de lutadores e guerreiros na suave
brisa da utopia.
Com os
corações incendiados pelos desmandos, corrupção e opressão, foram inevitáveis
os gritos incontidos de “Fora Temer”. Em sintonia profunda com os profetas e
profetizas, a multidão marchou ao som de hinos de libertação e esperança,
transformação, luta, fé e união.
Muito canto,
muita esperança na esquina de cada abraço, de emocionados reencontros, de
históricos e novos lutadores. Nas pegadas de João Bosco e Pedro, os passos da
vida e dos profetas, a esperança dá o compasso da semente lançada ao chão, do
“Fica Pedro” no coração grande e se expande ao infinito do novo dia de luta.
6ª Romaria
dos Mártires da Caminhada
Ribeirão
Cascalheira- MT – Prelazia de São Felix do Araguaia
Egon Heck
Fotos
Laila/Cimi
Íntegra da nota de moção
NOTA DE REPÚDIO E MOÇÃO DE
SOLIDARIEDADE
Os
participantes da 6ª Romaria dos Mártires, vindos de todas as regiões do Brasil
e de três continentes, a Ribeirão Cascalheira-MT, queremos denunciar o genocídio
contra os índios Guarani-Kaiowá no estado do Mato Grosso do Sul, proporcionado
pelos jagunços do agronegócio, acobertados pelas autoridades estaduais e
federais.
O mais grave
é que isso acontece na total impunidade estimulando uma verdadeira guerra
contra esse povo.
Exigimos a
punição dos responsáveis por esse extermínio e a demarcação imediata de suas
terras.
Ribeirão
Cascalheira, 17 de julho de 2016.