É sobre essas realidades que eles vem conversar com diversos
representantes dos três poderes. Mas vem principalmente para dizer ao Brasil e
ao mundo que seu povo e em especial os adolescentes e crianças não se aceitam
esse grave quadro de injustiças e preconceitos a que estão submetidas suas
comunidades, famílias e povos. Exigem
justiça, exigem as terras demarcadas e uma vida de paz e dignidade. Eles
vem das aldeias de Panambizinho, Tey
Kue, Kurusu Ambá, Ipoy e Guaiviry .
Fome
de justiça
Na véspera da celebração dos 30 anos do assassinato
de Marçal Tupã'y, eles vem pedir o fim da impunidade dos assassinos das
lideranças de seu povo. Querem saber onde estão os corpos do professor Rolindo,
do Ypo'i, do cacique Nisio, de Guaiviry.
É neste espírito de formadores de guerreiros e
guerreiros de seus direitos que eles estarão em Brasília. Eles vem "expor suas demandas, seus anseios e
suas exigências por direitos que sejam atendidos pelo poder público e
respeitados pela população."
Eles vem da fome, exigem alimentação adequada, vem
da impunidade, exigem justiça, vem da discriminação e racismo, exigem respeito
e igualdade na diversidade, eles vem da negação da vida, da violência, exigem
paz e direitos cumpridos.
Enquanto isso um jornal de Dourados veiculou nessa
semana um comentário onde, com relação aos Kaiowá Guarani afirma
"Em 1500, quando os portugueses aportaram no Brasil, existia um povo sem
roupa mas com uma cultura riquíssima e hoje os índios estão vestidos, calçados,
documentados, mas despidos de cultura." (O Progresso, 16/10/13). Só aos
olhos segados pelo agronegócio e racismo, esse povo de resistência secular não
"está despido de cultura". Talvez fosse mais correto dizer que estão
despidos da cultura genocida e etnocida do colonizador.
Já no Senado . "Meia dúzia de índios e alguns vagabundos
pintados conseguiram por meio de baderna impedir a criação da comissão para
debater o tema", reclamou Moreira. A baderna a que ele se referia eram os
protestos feitos em Brasília, no início do mês, por índios que exigiram de
deputados que não transferissem para o Congresso as decisões sobre a demarcação
atualmente a cargo da FUNAI. (Isto É - dinheiro, 13/10/13) "
Esses comentários
mostram bem a mentalidade predominante, infelizmente, em amplos setores do
Estado. Essas guerras, silenciosas ou alardeadas, nos dão ideia da dimensão e
continuidade do extermínio e intolerância secular.
Está previsto para dia
23, quarta feira, do julgamento das condicionantes relacionadas à demarcação da
Raposa Serra o Sol. Manifestemos aos Ministros do Supremo nossa esperança de
que as condicionantes sejam rejeitadas e se inicie uma promissora caminhada,
mesmo que tardia, de justiça e respeito aos direitos dos povos originários
Egon Heck
Povo Guarani, Grande
Povo
Cimi Brasília, 19 de
outubro de 2013