Numa produção milionária, com belíssimas imagens, a emissora
global levou ao ar, logo depois do dia mundial do meio ambiente, e no ambiente
da Rio+20, o programa com a reportagem sobre os
Enawene Nawe. No centro de formação Vicente Cañas, um grupo de
missionários do Cimi assistimos o programa. Parte deles está realizando um
encontro sobre os mais de 70 grupos indígenas em situação de isolamento
voluntário (os "isolados") que fogem do contato de morte, das violências
e das doenças.
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Não poderíamos deixar de manifestar nossa admiração pela
realidade tão rica em cultura, símbolos, arte, sabedoria, que boa parte de
brasileiros agora conhece. É sem dúvida uma contribuição para a humanidade, e
principalmente aos governantes cegados pelo sistema da acumulação, destruição
da natureza, mercantilizarão da vida e consumismo absurdo.
Ficam no ar o que não foi ao ar ou foi filtrado e omitido.
Questões como a grande pressão e invasão das madeireiras da região, que
criminosamente tem retirado madeira do território desse povo.
Quando, como secretário do Cimi, com o coordenador regional
Mato Grosso e outro missionário fomos, em maio de 1987, fazer uma Visita ao
companheiro Vicente Cañas e aos Enenawe, encontramos o corpo de Vicente,
mumificado, com sinal de perfurações e afundamento craniano. Já se passavam 40
dias de seu cruel assassinato. O seu silêncio era por seus amigos interpretado
como participação no ritual da pesca, que se desenvolve durante meses. O que
mais indigna é a impunidade que paira até hoje . Um julgamento de tres dos acusados de participação no
assassinato acabou acontecendo em Cuiabá, depois de 20 anos,, sem condenação dos
acusados.
Os Enawene denunciaram a preocupante e humilhante diminuição dos peixes em função da construção
de dezenas de pequenas hidrelétricas no curso do rio Juruena. Além disso o
governo, por ocasião da definição dos limites do território desse povo, deixou
de fora um dos mais importantes rios, o Rio Preto. Porque até hoje não se reviu
essa grave violação aos direitos dos Enawene?
Egon Heck
Cimi 40 anos, Brasília 9 de junho de 2012