Todos somos e seremos um pouco mais Guarani Kaiowá, cidadãos
brasileiros e cidadãos do planeta terra, na medida em que nossa comoção
indignada frente a violência institucionalizada e mortes anunciadas, se
transformar em ações que exigem respeito aos direitos humanos e da natureza.
Que beleza se dessa campanha emergir um
país um pouco mais justo, com o reconhecimento e demarcação das Terras
Kaiowá Guarani e de todos os povos indígenas do país.
sessão
histórica
Outras lideranças expressivas do movimento. Lindomar,
liderança do povo Terena, relatou a grave situação do povo kadiweu do Mato Grosso do Sul, contra os quais também
pesa ação de despejo, embora seja uma terra indígena já demarcada, homologada e
registrada. É uma insegurança jurídica absurda, pois se isso acontece com as
terras regularizadas, imagina o que não poderá suceder às demais terras
indígenas. Tudo isso tem sido estimulado pela portaria 303 da AGU. Nos próximos
dias está previsto o julgamento, no STF, da petição que poderá por fim a essa
situação. Ressaltou que a decisão da 3ª Região da Justiça Federal, tomou
decisão favorável à permanência dos
índios de Pyelito Kuê, mas de forma vergonhosa.' Como duzentos índios vão
sobreviver em um hectare de terra?"
A chegada do Ministro da Justiça e da delegação Kaiowá
Guarani foram aplaudidas de pé. A imprensa estava ali postada com suas ferramentas,
ávidos de novidades.
A Ministra dos Direitos Humanos ressaltou a importância que
os povos indígenas tem para o Brasil e em consequência também para o governo,
razão pela qual essa secretaria não poderia deixar de promover essa reunião de
cooperação e trabalho sobre essa causa. O Ministro da Justiça se esmerou em anunciar as medidas
concretas que estavam sendo tomadas pelo governo: empenho para a cassação da
liminar, cujo resultado anunciou efusivamente logo depois, reforço do
policiamento com a presença de maiores contingentes da Polícia Federal e Força
Nacional na região e medidas para agilização dos processos de demarcação das
terras indígenas na região do Mato Grosso do Sul. Afirmou que dentro de 30 dias
estaria sendo publicado o relatório da terra indígen Pyelito Kuê. Disse ser
vontade expressa da presidente Dilma, que se cumpra a Constituição, e que
ordenava que fossem tomadas todas as medidas cabíveis para que isso aconteça
com relação as terras Kaiowá Guarani.

Marta Azevedo, presidente da Funai, de forma emocionada, e
por vezes falando em Guarani, reafirmou seu compromisso com esse povo, dizendo
que aceitou a presidência do órgão como forma de contribuir diretamente com a conquista dos direitos dos
Kaiowá Guarani. Admitiu que são enormes as dificuldades para fazer avançar os
processos de demarcação, mas que tem conseguido alguns compromissos, como o dos
antropólogos dos 6 Grupos de Trabalho, que prometeram concluir e entregar os relatórios até o final
do ano.
Passos
contra o genocídio
A delegação Kaiowá Guarani em Brasília, teve uma intensa
agenda de conversações, debates, e reuniões com órgãos de Direitos Humanos,
Ministério Público e Supremo Tribunal Federal. Na avaliação das lideranças o
caminho é este. Continuarão sua luta na volta a seus tekohá, e estarão em
Brasília, nas mobilizações por esse país afora, para somar forças e
sensibilizar a sociedade brasileira e mundial sobre o genocídio que está em
curso, com inúmeras vidas ceifadas e uma violência institucionalizada.
Hoje irão participar de coletivas de imprensa, manifestações
públicas, participação em eventos na Câmara dos deputados. Amanhã haverá uma
audiência pública, convocada pela Comissão de Direitos Humanos do Senado.
Por todo o país aumentam as mobilizações contra o genocídio Guarani Kaiowá e pelos
direitos dos povos indígenas. Já estão agendadas atos públicos em quase duas dezenas de
cidades brasileiras, especialmente as capitais de Estados.
Numa reunião no Centro de Defesa dos Direitos Humanos, na
Cãmara dos Deputados, presidida pela deputada Erica Kokai, ficou claro a
importância de acentuar essa campanha de indignação e comoção nacional, a fim
de chegar à coordenação de algumas ações concretas que levem ao reconhecimento
dos direitos desse povo e estanque as violências, injustiças e genocídio em
curso.
Povo Guarani Grande Povo
Cimi 40 anos, ultimo dia de outubro de 2012