ATL 2017

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quarta-feira, 15 de maio de 2013

Povos Indígenas e o governo


 Governo se prepara para grandes eventos
A bola vai rolar. A Copa das Confederações está à porta. O Papa está por chegar. A Copa do Mundo está  na marca do pênalti. As Olimpíadas estão no horizonte próximo.  É por aí que se move o governo.  É para esses mega ralos que vai o precioso dinheiro do povo.
Mas é no campo dos ruralistas, do agronegócio,  que está sendo definido o  jogo contra os índios, as terras indígenas e os recursos naturais (madeira, minérios...) E o governo decidiu reforçar o time do contra. Já o vinha fazendo há mais tempo. Lula disfarçava defender os índios, mas acabava fazendo gol contra. Dilma entrou de sola. Nada de ficar perdendo tempo ouvindo os índios, demarcando terras. Time mesmo é o do agronegócio.  Nesse aposta. Eles  se consideram  os donos da bola.
Preparar-se para os grandes eventos não é apenas honrar compromissos de criar infraestrutura, estádios, transporte rápido dos aeroportos aos estádios, segurança...É também garantir os direitos humanos, cumprir a Constituição, demarcar as terras indígenas (cujo prazo já expirou há mais de 20 anos) é se reger pela legislação internacional do qual o Brasil é signatário, como a Convenção 169 da OIT, da Declaração dos Direitos Indígenas, da ONU, dentre outras.
Escabroso
Um olhar mais atento para o atual momento histórico, em especial com relação aos povos indígenas no Brasil, nos remete a um cenário escabroso. Dá impressão de que o governo está incluindo mais uma modalidade nas competições e grandes eventos: Quem são os maiores genocidas das últimas décadas. O governo parece já ter definido seus candidatos, nos quais está investindo pesadamente. O agronegócio, as grandes mineradoras e empresas petrolíferas estão no páreo. É a atualização do holocausto de mais de 100 milhões de indígenas nas Américas nestes pouco mais de quinhentos anos. Mais de cinco milhões pertencentes a mais de mil povos foram sacrificados no altar do projeto colonial no Brasil, e que se atualiza a cada ano.
Inédito
Olhando para as últimas quatro décadas de existência da Funai, percebemos vários momentos de manifestação da  insatisfação de funcionários do órgão indigenista oficial, especialmente quando atingidos por medidas políticas, de demissão por defenderem os índios e contrariarem fortes interesses no governo. É o caso, por exemplo, da demissão de 39 funcionários do órgão, em 1980, pelo então presidente da Funai, coronel Paulo Moreira Leal. Agora é anunciado que a presidente Dilma irá intervir na direção do órgão,  a Câmara dos Deputados já aprovou uma CPI da Funai. A quem interessam essas iniciativas?

O que é inédito é a manifestação dos funcionários contrários ao descalabro e agressões aos direitos indígenas vindos dos diversos poderes, em especial do próprio governo, que teria a função de cumprir a Constituição demarcando as terras indígenas e não o contrario.
“Nós, servidores da Fundação Nacional do Índio, vimos a público repudiar a forma como o atual Governo vem tratando os povos indígenas e, consequentemente, a FUNAI, no desrespeito às suas atribuições legais para a promoção e defesa dos direitos dos povos indígenas e, sobretudo, no tocante aos processos de demarcação de Terras Indígenas".(Associação Nacional dos Servidores da Funai, Brasília 10-05-2013"


Atual projeto de nação não tem lugar para povos indígenas, diz indígena e doutor em antropologia, Gersen Baniwa:
"Um plano indigenista para o Brasil passa pela existência de um Projeto de Nação do Brasil. Quando observamos a difícil situação de vida dos povos indígenas, pelas permanentes violações de seus direitos básicos, como o direito ao território e à saúde, podemos acreditar que ou o país ainda não definiu seu projeto de nação; ou já definiu e neste projeto não há lugar para os povos indígenas". (Daiane Souza/UnB Agência, abril 2013)


Povo Guarani Grande Povo
Cimi, Brasilia, 15 de maio de 2013

sexta-feira, 3 de maio de 2013

CPI da Funai : Ruralistas pintados para a guerra

" Os ruralistas estão pintados para a guerra contra os índios. Para criação da CPI da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) já conta com o apoio de 201 deputados, 30 a mais do que o exigido pelo Regimento da Casa. Promete arrombar a "caixa-preta" da FUNA"I. (Correio Brasiliense, 25-04-13)
A história se repete. A cada dia que  passa os ruralistas dão passos em direção de seus insofismáveis interesses de impedir a demarcação das terras indígenas. Ora esses desejos se expressam na forma de um projeto de emenda constitucional,  outra vez como uma portaria (ou porcaria, como diziam os índios nas manifestações da semana dos povos indígenas) ou ainda como projeto de lei, audiência pública ou Comissão Parlamentar de Inquérito da Funai . Roncam forte os motores do agronegócio.  Continua e se acentua a guerra contra a demarcação das terras indígenas e a exploração dos recursos naturais nela existentes.

Na recente visita ao Mato Grosso do Sul a presidente Dilma deve ter ouvido um estranho e barulhento pedido de socorro do agronegócio, expresso em faixas, camisetas e máquinas, pedindo a CPI da Funai e não demarcação das terras indígenas. Ela foi entregar ônibus  para as escolas do agronegócio, nas quais índio não deve existir, ou melhor, não deve ter terra.

CPI da Funai, o "bode na sala"

Quando em 1967 o Serviço de Proteção ao Índio - SPI foi extinto é porque havia se transformado num mar de corrupção e violação dos direitos dos povos indígenas. O próprio general Albuquerque Lima, então ministro do Interior, reconheceu ser este o órgão mais corrupto que conhecera. Para limpar a cara e abafar os gritos que vinham de todo o país e exterior, o governo da ditadura militar se apressou em criar um novo órgão. Surgiu então, em dezembro de 1967 a Fundação  Nacional do Índio - Funai. Nasceu do espolio do SPI e dele herdou os quase 700 funcionários. Os militares entregaram o órgão a um civil, o jornalista Queiroz Campos. Em meio às contradições de ter que defender os índios dentro de um modelo desenvolvimentista, frontalmente contrário aos direitos indígenas, especialmente à terra e recursos naturais, não aguentou muito tempo e o órgão voltou a ser comandado por militares. Generais e coronéis foram se revezando no órgão totalmente militarizado. Se transformou num cabide de empregos das forças armadas, tanto de membros da reserva quanto os da ativa. Não é preciso dizer, que de 700, a Funai passou a ter quase 7.000 funcionários. Grande parte desses quadros eram oriundos dos órgãos de segurança e informação. Tornou-se então a Funai um eficiente órgão de repressão e controle e controle dos índios e seus aliados.
Contradições e ambiguidades marcam esses 45 anos do órgão indigenista do governo. Nesse período a Funai já teve 33 presidentes, vindo a demonstrar a frágil e difícil missão de presidir tal órgão. Já foi alvo de duas CPIs, sendo a primeira em 1968, logo no seu início  quando o alvo principal era a denúncia eram as graves violações contra os direitos dos povos indígenas  praticados especialmente por funcionários do ex SPI,e a segunda em 1977,  quando novamente o órgão era denunciado por falcatruas contra os povos indígenas.

Agora são os arautos do agronegócio e do modelo desenvolvimentista,  querem uma CPI da Funai. Trata-se, na verdade, de mais um palco anti-indígena, ou como se diria numa figura popular, é colocar o bode na sala para distrair ou encobrir as verdadeiras intenções que são de impedir os direitos indígenas às suas terras e escancarar os territórios já demarcados ao saque dos recursos naturais e exploração do agronegócio.  Continuam rasgando a Constituição, há décadas, impedindo com que as terra indígenas sejam demarcadas, conforme previsto no artigo 131 e legislação internacional da qual o Brasil é signatário.

Vitória dos Kaiowá Guarani

Neste vale tudo contra os índios, é impressionante a resistência, mobilização e luta dos povos indígenas. Nesta guerra secular eles desenvolveram estratégias de sobrevivência e enfrentamento dos inimigos e invasores de seus territórios. Particularmente os Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul aprofundaram sua espiritualidade e dela fizeram uma inquebrantável trincheira, comovendo o país e conquistando aliados em todo o mundo.

E nessa luta também estão conseguindo algumas vitórias no poder judiciário, com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal, que não acatou o pedido do Governo do Estado do Mato Grosso do Sul, em ser parte no processo da Terra Indígena Takuara.


Povo Guarani Grande Povo, Cimi, Brasília, 2 de maio de 2013

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Genocídio Indígena será denunciado ao Papa



"Vamos solicitar uma audiência com o Papa Francisco para denunciar as violências e genocídio a que estão sendo submetidos povos e comunidades indígenas no Brasil", afirmou o deputado Padre Ton, coordenador da Frente Parlamentar em Defesa dos Povos Indígenas.  Essa intenção foi reafirmada por outros parlamentares presentes ao ato de abertura da exposição" Olhares  Cruzados Guarani Kaiowá (Brasil) Pai Tavyterã (Paraguai), que está se realizando no espaço do servidor, na Câmara dos Deputados.
Para  a ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, é um absurdo o assassinato do adolescente Kaiowá, Denilson,  quando ia pegar uns peixes. A decisão da juíza foi não apenas pela reintegração de posse da comunidade Pindo Roky,  mas a remoção do corpo de Denilson, enterrado no local do assassinato.
No ato de abertura também estiveram presentes vários parlamentares, o representante da ONU no Brasil, representantes indígenas de Kurusu Ambá, Panambizinho e Te'Ykue (Caarapó).
Otoniel Ricardo, do Conselho da Aty Guasu que está no programa de proteção da Secretaria de Direitos humanos, em função das ameaças de morte, falou pelo Conselho da Aty Guasu, chamando atenção para a gravíssima situação em que se encontram as comunidades Kaiowá Guarani por causa da não demarcação das terras, os assassinatos de lideranças, a impunidade e criminalização "No Mato Grosso do Sul vivemos uma situação de extermínio do nosso povo, porque não querem reconhecer nossas terras tekohá, a terra sem males.
Também participaram representantes de entidades solidárias à luta desse povo, como o Conselho Indigenista Missionário, Cimi.
Dirce Carrion, coordenadora do Projeto Olhares Cruzados que está em sua 10ª edição, destacou sua felicidade em poder estar dando visibilidade a um povo  tão sofrido e com tanta dignidade, sabedoria e profunda religiosidade e cultura.
Ao nos dirigirmos ao Congresso fomos alertados para as possíveis dificuldades dos índios entrarem naquela "casa do povo", pois a segurança reforçada pela polícia federal, com ordem de não deixar os índios entrarem, em função dos acontecimentos do dia anterior, quando os povos indígenas de todo o país adentraram à plenária, ocasionando uma debandada e correria dos parlamentares.

Abriram-se portas

Portas foram abertas pelos povos indígenas do Brasil, sem muitas palavras, mas com a força das rezas e rituais, dos cantos e danças plurais,  a energia dos encantados,  a sabedoria milenar e a determinação política de não admitir um centímetro de retrocesso em seus direitos conquistados.
As invioláveis portas do Congresso não resistiram à emergência súbita dos povos raiz desse país. Eram 18,10, de terça feira, dia 16 da abril. Dia memorável, histórico, em que aquele sisudo plenário recebeu um banho de chão, de alegria, de energia secular, de cores vibrantes, corpos pintados, maracás afinados. "Estamos com medo", gritou ao microfone um dos parlamentares. Bastou a ritual entrada  nativa que as gravatas bem comportadas se colocaram em debandada. Porder-se-ia perguntar "mas de que fugiram, senhores parlamentares?  Será que pensamento de invasores seculares ainda povoam vossas mentes?. Ou será que algum mais afobado, foi se benzendo pensando em terríveis canibais?  Deveriam ter corrido ao encontro deles, abraçando-os carinhosamente, pelo eloquente gesto de começar a  libertar  aquele espaço da prisão do poder econômico e político reinante.
Também foram  abertas portas de diálogo, na Câmara dos deputados, com paridade de participantes entre parlamentares e indígenas. O grupo de Trabalho foi instalado.
As portas do Supremo Tribunal Federal se abriram para um frutuoso e sincero diálogo como o presidente daquela casa,  Joaquim Barbosa
Abriram-se corações e mentes, semearam-se novas sementes, conquistaram-se multidões de aliados no Brasil e no mundo.
A única porta que continua trancada para os povos indígenas é a da presidente Dilma. Até hoje ela não se dignou receber  as lideranças do movimento indígena,  num flagrante descaso ou desprezo do que de mais digno e belo  esse país tem, que é a pluralidade de seus povos. Assim se expressaram as lideranças indígenas que na véspera do dia dos Povos Indígenas, passaram três horas diante da porta esperando um gesto de diálogo.

 Recado dado

Os indígenas retornaram às suas aldeias, malocas, comunidades, com o coração cheio de alegria , esperança e a certeza de que  seus inimigos não passarão.  "Lutaremos até o último índio",  foi repetido por diversas lideranças, que estão confiantes de que unidos e  mobilizados não permitirão nenhum retrocesso ou retirada dos direitos conquistados. Voltaram felizes  para seus territórios, com importantes avanços e redobrada vigilância e luta.

Povo Guarani Grande Povo,
Cimi, Brasília, 20 de abril de 2013

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Flechas, maracás e o inviolável



Jamais algum movimento social conseguira ocupar o inviolável espaço do plenário da Câmara. Os povos indígenas revoltados e indignados com o processo de violação de seus direitos, com ações e iniciativas orquestradas nos três poderes, decidiram dar o recado aos parlamentares. E isso no "espaço considerado inviolável, na casa do povo". Após quase meia hora de pressão, conseguem irromper na sala do plenário.Surpresos e perplexos, os parlamentares foram se retirando de seus assentos, e outro grupo foi refugiar-se em torno da presidência da mesa.Um clima de temor e apreensão se espalhou pelo ambiente dos 513 deputados, dos quais um pouco mais de trezentos estavam no recinto.
Nesse fato inédito, em que das 18,10 hs às 1840 horas  o plenário da Câmara foi despido de seu padrão engravatado, para dar lugar aos corpos e rostos pintados que ao som do maracá disseram a que vieram - revoguem já! (as leis e projetos aintiindígenas)
Foi bonito ver  indígenas velinhos, mulheres, jovens  e crianças tomarem conta das confortáveis cadeiras, com sorrisos e comentários "como é confortável a casa do povo!  nunca a gente tinha imaginado o que está vendo e assistindo." Esse fato inédito correu o Brasil e o mundo. Para dizer: estamos aqui, exigimos respeito, queremos respostas, não tirem os nossos invioláveis direitos! Se perplexos ficaram os senhores deputados, muito mais perplexos e indignados estão os povos indígenas pelas inúmeras propostas que estão nesta casa, com o único intuito de retirar os direitos indígenas, para favorecer o agronegócio e outros interesses, minerais,madeireiras, militares com acelerada privatização das terras e águas em nosso país.

O Brasil Plural mostra sua cara

Ao ver o plenário da Comissão de Constituição e justiça cheia de cores, de corpos lindamente pintados, dando uma  bela imagem desse Brasil plural, profundo, originário. É pena que isso só seja reconhecido somente nos momentos  das cruciais lutas que os mais de trezentos povos indígenas levam adiante,  quando os processos genocidas avançam sobre seus territórios, suas vidas.
As dezenas de parlamentares que vieram prestar apoio e solidariedade aos povos indígenas no congresso destacaram esse momento bonito e crucial.
Nas inúmeras manifestações das lideranças indígenas, caciques, pajés,  a tônica foi a mesma. Querem nos matar com esses projetos de lei, portarias. Mas nós vamos resistir, lutar, até o último índio! E todos pediram que enterrem as malditas e criminosas iniciativas do legislativo e executivo.

O momento é esse, avançaremos !

Nailton Pataxó ressaltou que esse momento é semelhante ao da Constituinte, quando os inimigos dos povos indígenas  tramaram vários vezes para impedir com que os direitos indígenas fossem inscritos na nova Constituição. Só vencemos por que nos mobilizamos, viemos ao Congresso quase todos os dias, visitamos gabinete por gabinete dos parlamentares, fiemos debates e rituais aqui no Congresso, enchemos os tapetes verdes e azuis com a cara do Brasil plural, combativo e resistente. Agora estamos novamente num momento em que os nossos inimigos querem rasgar a Constituição tirando dela os direitos por nós conquistados. E  com muita firmeza  e sabedoria diz "Vamos vencer mais essa batalha! Unidos e mobilizados sairemos vitoriosos de mais essas tentativas criminosas de tirar nossos direitos."
Além da visibilidade conseguida para suas lutas e seus direitos, conseguiram do presidente da Câmara Henrique Alves, juntamente com outros parlamentares, lideres de partidos, a promessa de não indicação de membros para a Comissão especial,  que daria o parecer sobre a PEC 215 e a instalação de uma mesa de negociação com a participação paritária dos povos indígenas , para debater todas os projetos  de lei e iniciativas que dizem respeito aos povos indígenas.
Em documentoentregue ao presidente da Câmara  o movimento indígena reafirma “Não admitiremos retrocesso na garantia dos nossos direitos...Reafirmamos por tudo isso , a nossa determinação de fortalecer nossas lutas, continuarmos vigilantes e dispostos a partir para o enfrentamento político, arriscando inclusive as nossas vidas, em defesa dos nossos territórios e da mãe natureza e pelo bem das nossas atuais e futuras gerações”.
A promessa é de que hoje seja criada essa mesa de diálogo.




Povo Guarani Grande Povo
Brasilia, 17 de abril 2013

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Amazônia resiste


Triste e infeliz a pátria que não sabe acolher seus filhos, acariciar sua rica natureza e biodiversidade,  se deleitar em suas águas abundantes, ainda  limpas em grade parte, conviver harmonicamente com os animais, se deliciar com suas frutas saborosas, com seu ar puro.
A Amazônia dos amazonidas continua seriamente ameaçada, violentamente agredida,  absurdamente negada  a seus povos. A lógica da moto serra, das grandes madeireiras internacionais, das companhias mineradoras, das mega hidrelétricas, que destroem e avançam sem dó nem piedade. A civilização do boi e da soja se alastram como ervas daninhas, tombando as florestas devorando corações e mentes. A mentira do progresso impera e ilude.
Comitê da Verdade e resistência do Amazonas
Fiquei muito feliz ao voltar a Manaus e Presidente Figueiredo e sentir uma enfrentamento com os grandes interesses saqueadores das riquezas da região, na “articulação de convivência com a Amazônia”, na Coordenação dos Povos Indígenas da  Amazônia Brasileira – COIAB,  no Comitê da Verdade do Amazonas.
Abril indígena, tempo de fazer avançar a luta pelos direitos dos povos primeiros dessa bela terra, das populações tradicionais, e de todos os aliados dos ricos sistemas de vida da Amazônia, ainda na paixão, mas de pé e resistente.
Waimiri Atroari – da heróica  resistência à “prisão de ouro”
Uma das situações emblemáticas de violência e genocídio é sem dúvida a dos Kiña, Waimiri Atroari.  Por esta razão o massacre de mais de 2 mil indígenas deste povo foi o primeiro documento densamente documentado, entregue à Comissão Nacional da  Verdade. Isso já em outubro do  ano passado, pelo Comitê Estadual. Infelizmente ainda não tiveram nenhuma resposta sobre os encaminhamentos e providências, especialmente no que diz respeito ao contato com os Waimiri Atroari, para que eles pensam, com sua memória de luta e resistência dar mais densidade e consistência comprovada do massacre que sofreram por ocasião de seu território com a construção da BR 174, Manaus Caracaraí, Boa Vista de 1967 a 1977.
Já esgotados os prazos prometidos à coordenação da Comissão Nacional da Verdade, pelo indigenista da Eletrobrás e coordenador do Programa Waimiri-Atroari, o grupo  entendeu que é  o  momento de cobrar respostas efetivas, particularmente com relação à visita à terra indígena e um efetivo diálogo posicionamentos incisivos a favor dos direitos deste povo, particularmente com relação à liberdade à  participação no movimento indígena e aliados, conforme defende Egydio Schwade. Manoel Moura, índio Tucano, classificou a situação da política indigenista empresarial com relação a esse povo de “prisão de ouro”.
Também foram tomados alguns encaminhamentos com relação ao debate sobre a questão dos militares na Amazônia e a política indigenista dos governos militares. Esses temas que tem sido uma espécie de tabu, precisam ser aprofundados para que não se repitam determinadas violências, autoritarismos, prepotência com relação aos povos e populações tradicionais da região. O Comitê estadual da  Verdade está sendo um importante instrumental neste sentido.
Egon Heck
Povo Guarani Grande Povo
Manaus, 9 de abril de 2013

domingo, 24 de março de 2013


Ditadura Cabralina

O que vimos essa semana foi uma confirmação do desprezo pela memória, pela história pelos povos indígenas da aldeia Maracanã, no belo Rio de Janeiro. Uma preliminar do jogo duro dos usurpadores dos direitos dos pobres para acalantar a festa do ricos, curiosos, turistas..A lógica dos grandes eventos esportivos por vir, se impõem inexoravelmente.  É preciso garantir, a qualquer custo,  os mega eventos.  É o rolo compressor (ditadura) e o ralo financeiro (corrupção) que prevalecerão  nos próximos tempos. Cenas de violência como os desta semana são apenas  aperitivo. Povos indígenas,  entrincheirados  nos espaços de sua memória, como o antigo Museu do Índio, danem-se. Serão apagados pela memória esportiva. Mais um gol de Cabral.

Enquanto isso, em Brasília, representantes de vários povos indígenas do nordeste, vieram dizer que continuam invadidos há mais de 500 anos, mas que jamais deixarão de lutar para que se faça justiça a seus povos, garantindo a terra e políticas públicas minimamente decentes. Seus olhares profundos, suas peles  escurecidas denunciam o massacre histórico e cultural a que foram submetidos. Que das fortunas que serão destinadas à realização dos grandes eventos esportivos - Copa das Confederações(2013), Copa do Mundo (2014) e Olimpíadas (2016) não aumentem ainda mais o sofrimento e injustiças  a que são submetidos os pobres em especial os povos indígenas.

Egon Heck

Povo Guarani, Grande Povo

Semana Santa de 2012

Soem livres os tambores


Criação da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos

Fecharam uma porta, mas abrimos uma janela. Vamos romper o muro com que estão tentando blindar a Comissão de Direitos Humanos na Câmara dos Deputados.

O Congresso , neste início de outono, voltou a se agitar. O auditório Nereu Ramos lotado,(mais de 300 pessoas) foi palco de um momento  de resistência e indignação, num ato carregado de emoção, desabafos e manifestações populares.  Cientes de que esse é um momento  difícil, quando os setores conservadores impõem mais um retrocesso, fruto de negociações e acordos partidários que achincalham essa casa do povo, impondo na presidência de uma das comissões mais importantes da Camara dos deputados, alguém que é manifestamente contrário a direitos humanos. Em tom de ironia um parlamentar  se referiu a Feliciano, com uma citação bíblica onde Jesus diz “Eu sou o caminho” e Feliciano complementa “eu sou o pedágio. Passa o cartão e a senha”.

Quando soaram os tambores dando por instalada a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos, com a esperança de que seja breve, pois os dias de Feliciano  em frente à Comissão de Direitos Humanos estão contados.

Os povos indígenas e seus aliados também estiveram presentes, entregando um manifesto onde reafirmam como as demais entidades da sociedade civil que ‘vem  manifestar sua indignação e repudio diante da ocupação da presidência da CDH da Câmara dos deputados por Marco Feliciano...”, cujo perfil de manifesta xenofobia e racismo também teria se manifestado de forma colonialista dizendo “que existe muita terra para poucos índios”.

Já no final do ato foi anunciada a morte do grande cantor Emilio Santiago, que sofreu na pele o racismo e descriminação por ser negro e homosexual, lembrou com carinho um dos parlamentares. Um minuto de silêncio ao lutador que cuja voz agora irá soar mais alto.
Feliciano vai cair
As manifestações continuaram dentro e fora do plenário 9, onde houve mais uma tentativa de realizar uma sessão de trabalho, mas que acabou sendo cancelada em função das manifestações da sociedade civil dentro e fora do plenário.

Houve inclusive agressões físicas a uma das manifestantes no momento em que foram pedir ao presidente da Câmara um posicionamento a respeito desse fato que envergonha o Congresso, num flagrante retrocesso com relação aos direitos conquistados na Constituição de 1988. No texto se unem aos movimentos e organizações sociais que reivindicam a renúncia do deputado” Feliciano da Presidência da Comissão de Direitos Humanos e a recomposição da mesma com parlamentares realmente comprometidos com a defesa da vida e da dignidade dos setores secularmente marginalizados, explorados e discriminados  na sociedade brasileira”

Buscando novos espaços
 
Os povos indígenas, através da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil e do Cimi também levaram as preocupações e desafios dos povos indígenas, particularmente com relação à tramitação de iniciativas anti indígenas no Congresso,  à Comissão de Legislação Participativa. A deputada Luiza Erundina acolheu e reforçou a proposta de que essa comissão faça um levantamento da realidade dos povos indígenas e promova um seminário de um dia para aprofundar a questão nesta Comissão.


 

Povo   Guarani Grande Povo

Cimi secretariado nacional