Indígenas em manifestação rumo ao Rio Center, dos chefes de estado, mas foram barrados por um batalhão da policia de choque
ATL 2017
quinta-feira, 21 de junho de 2012
terça-feira, 19 de junho de 2012
Passeata dos Povos Primeiros

Foi de lavar a alma, ver a aquela multidão
serpentear entre os prédios e avenidas, para dizer ao Rio e ao mundo que não
apenas estão vivos e estão aqui, mas que querem por fim à secular dominação e
ajudar a construir um mundo melhor para todos, sem a enganação verde da
economia global neoliberal, a falácia da proteção ambiental e do
desenvolvimento sustentável do grande capital.
A dignidade desfilou no Rio, do Sambódromo,
onde estão hospedados, partiu o grito forte das mulheres, do aterro do
Flamengo, partiram os povos raiz, e por fim os ambientalistas mostraram a
“marcha ré”, do governo Dilma com relação aos direitos da Mãe Terra, das leis
de proteção ambiental.A situação mais grave, em termos de violência, assassinatos, fome, desnutrição, dependência, suicídios, é a do Mato Grosso do Sul. E é exatamente a região em que as terras estão sendo assaltadas pelo grande capital, empresas multinacionais como a Bunge, Dreifus, Raizen...estão plantando cana, nas terras Kaiowá Guarani. A denúncia de Oriel, na atividade sobre Direitos à Terra e “Grilagem de terras”. O biodiesel de cana que está movendo uma frota de ônibus aqui no Rio, está sendo movido a sangue indígena, pois é tirado de nossas terras no Mato Grosso do Sul.
O objetivo da passeata, além da dar
visibilidade aos povos indígenas presentes na Cúpula dos Povos, no Acampamento
Terra Livre, foi de deixar seu protesto contra a imposição e implantação dos
grandes projetos que afetam diretamente a vida e sobrevivência dos povos
indígenas. Esses projetos são financiados pelo banco BNDES, dinheiro público.
Por isso foi feito um cerco ao prédio do banco. Depois de rituais de protesto,
o mesmo gesto foi repetido diante do prédio da Petrobras

A
Articulação dos Povos Indígenas no Brasil está coordenando a elaboração de um
documento que será entregue aos chefes de Estado reunidos na Rio +20. Também
estarão participando das plenárias e Assembléias onde está sendo construído o
documento unificado em que ficará definido o posicionamento e as propostas
consensuadas na Cúpula dos Povos com relação à grave ameaça à vida no planeta
Terra.
Apesar dos povos indígenas estarem
enfrentando sérios problemas de infra-estrutura (hospedagem e alimentação)
entendem que esse é um momento histórico em que deixarão seu recado ao mundo.
Seu grito de guerra e de paz.
Egon Heck
Cimi 40 anos – Povo Guarani Grande Povo
Cúpula
Dos Povos, Rio de Janeiro, 19 de junho s012
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Povos indígenas - a luta tem futuro
“Estamos lutando pela vida dos nossos
povos, mas principalmente por nossas crianças. Somos povos raiz dessa terra e
exigimos respeito e justiça. Apenas queremos viver com dignidade e paz.”
Essas são expressões que perpassam os
inúmeros depoimentos, denúncias e anúncios dos mais de mil e trezentos
indígenas participantes da Cúpula dos Povos, especialmente do Acampamento Terra
Livre.
É um momento histórico importante para o
movimento indígena do Brasil e mundial. É hora de gritar que não apenas estão
vivos, mas que muito tem a contribuir na
construção desse novo mundo possível e urgente, a partir dos projetos do Bem
Viver de seus povos.Os povos indígenas acreditam que com sua união e o apoio amplo de todos os que lutam para para superar o colonialismo e o neoliberalismo, e assim salvar o planeta terra.
Egon Heck – Cimi 40 anos – Cúpula dos Povos
Rio de Janeiro, junho de 2012
domingo, 17 de junho de 2012
O grito indígena na Cúpula dos Povos
Ao intercalarem rituais e clamores, em centenas de tons,línguas e cores, os povos indígenas estão indignadamente fazendo seusdesabafos, conclamando para a união para a luta comum contra esse sistema quelhes decretou a morte e travestiu de verde a destruição. São em torno de mil e trezentos indígenas de mais de cempovos do Brasil e das Américas, presentes na mobilização, conclamação, debate e grito nativo no espaçodo Acampamento Terra Livre, na Cúpula dos Povos.
Essa diversidade, raiz efuturo do continente, se manifesta de maneira contundente. Não agüentam mais oavanço dos projetos de morte e saque de seus territórios, sob o discurso verdeda sustentabilidade e preservação. Querem dizer isso ao mundo. Que os ensurdecidose insensíveis chefes de Estado e governantes sejam atingidos pelas flechas de futuro, que exige imediata e radicalmudança nos rumos dos projetos de desenvolvimento e a devolução e garantia dosterritórios dos povos indígenas e o reconhecimento de sua autonomia e seusprojetos de vida.Confiam na força da união dos povos indígenas do mundo emaliança com todos os setores da sociedade que lutam contra o devastador sistemacapitalista global, para interromperem o caminho de morte, que ameaça a vida todosos seres vivos e do próprio Planeta. Denunciaram o assassinato de dezenas delideranças indígenas e a total impunidade em que permanecem esses crimes.
Estão cansados de denunciar a violação constante dos seusdireitos. Porém não se cansam de anunciar seus projetos de Bem Viver comocontribuição e alternativa aos projetos do grande capital global, que tem aserviço de seus interesses os Estados nacionais e o sistema financeiro mundial.
Ao infernoBelo Monte
Entre as inúmeras denúncias foi ressaltado, por diversospovos e lideranças indígenas, a situaçãoe conseqüências calamitosas do mega projeto da usina hidrelétrica de BeloMonte. Raoni e Megaron deixaram clarosua posição e dos povos indígenas contra essa monstruosa obra que irá impactarmortalmente vários povos indígenas, populações ribeirinhas, com um rastro dedestruição.
Está sendo unânime o rechaço dos povos indígenas a todo tipode desenvolvimento baseado nessas grandes obras a serviço do grande capital econtra os direitos e vida dos povos originários deste continente.
Egon Heck
Cimi 40 anos – Rio de Janeiro 17 de junho de 2012
Povo Guarani grande povo.
sábado, 16 de junho de 2012
Demarquem nossas terras
Após a abertura do Acampamento Terra Livre, na Cúpula dos Povos, no Rio de Janeiro, um batalhão de fotógrafos estava seguindo uma pessoa que adentrava ao Auditório 33 onde estavam algumas centenas de indígenas de todo o Brasil. Antonio Patriota, ministro das Relações Exteriores, veio dar uma olhada apenas no evento. Mas foi convidado pelos índios a dar uma palavra aos presentes. Deixou escapar o que parece ser a grande preocupação do governo: tentar convencer o mundo de que no Brasil é possível conjugar desenvolvimento com proteção ambiental.
Para os povos indígenas esse esforço do governo brasileiro é em vão. É apenas uma retórica fantasiosa ( para não dizer mentirosa) onde a onda de desenvolvimentismo, uma vez mais tem os povos indígenas como maiores vítimas. Basta olhar o descalabro e o caos em que estão a saúde e educação indígena e mais grave ainda a total falta de uma política de produção de alimentos, de acordo com a lógica das economias indígenas. Prefere-se institucionalizar a dependência através das cestas básicas.
Logo após as breves palavras do ministro Antonio Patriota, Otoniel Kaiowá Guarani do Mato Grosso do Sul pegou o microfone para dizer exaltado. “Demarquem nossas terras. É bom o senhor estar aqui. Queremos a demarcação de nossas terras urgente. Não adianta falar em economia e proteção ambiental para nós, o que queremos e precisamos que o governo demarque as nossas terras”.
Acampamento Terra Livre
“A salvação do planeta está na sabedoria ancestral dos povos indígenas”, consta no folder da programação do IX Acampamento Terra Livre, organizado pela Articulação dos Povos Indígena do Brasil, e que se integra com agendas, participação e contribuições dos povos indígenas do continente Abya Yala. Durante uma semana serão debatidos os grandes temas que desafiam a humanidade hoje e em especial os povos indígenas do mundo. Serão feitos mobilizações, rituais, debates e elaborado um documento que expressa a posição do movimento indígena mundial diante da grave crise em que o sistema capitalista é uma ameaça à sobrevivência da vida no planeta.
“O respeito aos povos indígenas requer valorizar a sua contribuição na formação social do Estado nacional e reconhecer o papel estratégico que os territórios indígenas tem desenvolvido milenarmente na preservação do meio ambiente, na proteção da biodiversidade e na solução dos problemas que hoje ameaçam a vida no planeta”
Essas atividades dos povos indígenas previstas para os próximos dias fazem parte dos mais de 3 mil eventos que estão previstos.
Mandantes do assassinato de Nisio Gomes, na cadeia
Foi deflagrada operação de prisão dos mandantes e envolvidos no assassinado do cacique Nisio Gomes, conforme noticiou a imprensa de Campo Grande. O cacique foi assassinado em novembro último passado na Terra Indígena Guayviri, no município de Aral Moreira, no Mato Grosso do Sul. Mesmo que o anúncio da operação tenha sido estrategicamente feito no decorrer da Cúpula dos Povos e Rio + 20, o que se espera é agilidade da justiça para punir os responsáveis de dezenas de lideranças assassinadas e que permanecem na total impunidade. Além do mais não se tem ainda informações sobre o corpo do Nisio e do professor Rolindo. Que a prisão dos mandantes abra caminho para a localização dos corpos.
Egon Heck
Cúpula dos Povos, 15 de junho de 2012
Povo Guarani Grande Povo
Para os povos indígenas esse esforço do governo brasileiro é em vão. É apenas uma retórica fantasiosa ( para não dizer mentirosa) onde a onda de desenvolvimentismo, uma vez mais tem os povos indígenas como maiores vítimas. Basta olhar o descalabro e o caos em que estão a saúde e educação indígena e mais grave ainda a total falta de uma política de produção de alimentos, de acordo com a lógica das economias indígenas. Prefere-se institucionalizar a dependência através das cestas básicas.
Logo após as breves palavras do ministro Antonio Patriota, Otoniel Kaiowá Guarani do Mato Grosso do Sul pegou o microfone para dizer exaltado. “Demarquem nossas terras. É bom o senhor estar aqui. Queremos a demarcação de nossas terras urgente. Não adianta falar em economia e proteção ambiental para nós, o que queremos e precisamos que o governo demarque as nossas terras”.Acampamento Terra Livre
“A salvação do planeta está na sabedoria ancestral dos povos indígenas”, consta no folder da programação do IX Acampamento Terra Livre, organizado pela Articulação dos Povos Indígena do Brasil, e que se integra com agendas, participação e contribuições dos povos indígenas do continente Abya Yala. Durante uma semana serão debatidos os grandes temas que desafiam a humanidade hoje e em especial os povos indígenas do mundo. Serão feitos mobilizações, rituais, debates e elaborado um documento que expressa a posição do movimento indígena mundial diante da grave crise em que o sistema capitalista é uma ameaça à sobrevivência da vida no planeta.
“O respeito aos povos indígenas requer valorizar a sua contribuição na formação social do Estado nacional e reconhecer o papel estratégico que os territórios indígenas tem desenvolvido milenarmente na preservação do meio ambiente, na proteção da biodiversidade e na solução dos problemas que hoje ameaçam a vida no planeta”
Essas atividades dos povos indígenas previstas para os próximos dias fazem parte dos mais de 3 mil eventos que estão previstos.
Mandantes do assassinato de Nisio Gomes, na cadeia
Foi deflagrada operação de prisão dos mandantes e envolvidos no assassinado do cacique Nisio Gomes, conforme noticiou a imprensa de Campo Grande. O cacique foi assassinado em novembro último passado na Terra Indígena Guayviri, no município de Aral Moreira, no Mato Grosso do Sul. Mesmo que o anúncio da operação tenha sido estrategicamente feito no decorrer da Cúpula dos Povos e Rio + 20, o que se espera é agilidade da justiça para punir os responsáveis de dezenas de lideranças assassinadas e que permanecem na total impunidade. Além do mais não se tem ainda informações sobre o corpo do Nisio e do professor Rolindo. Que a prisão dos mandantes abra caminho para a localização dos corpos.
Egon Heck
Cúpula dos Povos, 15 de junho de 2012
Povo Guarani Grande Povo
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Povos Indígenas - cresce a violência
Os números são estarrecedores. A violência
contra os povos indígenas, são indícios
de um processo de guerra, de genocídio que continua decretando a morte de
inúmeros indígenas de norte a sul do país, da terra dos Makuxi, Wapichana e
Ingarikó em Roraima aos Kaingang, Guarani e Charrua no Rio Grande do Sul.

No
dia em que iniciou a Rio + 20, em que o Brasil como anfitrião tem que ficar bem
na foto, em Brasília é lançado o "Relatório de Violência contra os Povos
Indígenas no Brasil". No placar de
regularização de terras indígenas,o governo Dilma está com m desempenho pífio -
no ano de 2011 homologou apenas 3 terra indígenas. Já em 1992 o governo Collor
demarcou 128 terras indígenas, enquanto o governo Lula demarcou apenas 88
terras indígenas em oito anos de governo. Conforme D. Erwin, no lançamento do
relatório, essa foi e continua sendo a principal causa da violência contra os
povos indígenas ". Tanto o
presidente da CNBB, como o presidente do Cimi, demonstraram sua profunda
preocupação com o avanço da violência contra os povos indígenas, em conseqüência
de um modelo de desenvolvimento que não respeita os povos indígenas. "Pensávamos
que a publicação do relatório ajudaria a
diminui a violência. Infelizmente está aumentando. É o rolo compressora que não
respeita os povos indígenas e ribeirinhos, no caso do emblemático e fatal projeto da usina
hidrelétrica de Belo Monte." D.
Erwin lembrou que nos 40 anos do Cimi vários missionários derramaram seu sangue
em defesa dos direitos dos povos indígenas. "Continuaremos decididamente
ao lado dos povos indígenas",
afirmou o presidente do Cimi.
Jader
Marubo do Vale do Javari, Amazonas, fronteira com o Peru, relatou com dor e
indignação a situação de morte a que estão relegados os povos indígenas dessa
região, sendo que 82% dos indígenas de 6
povos estão com hepatite e temem a febre negra (hepatite B mais hepatite D),
além de alta incidência de tuberculose, filaria, dentre outras doenças. Além
disso tem seu território invadido por madeiros, fazendeiros, peixeiros,
narcotraficantes. Ele teme pela morte de pelo menos 13 grupos indígenas isolados, conforme dados
da Funai, e de outros 8 grupos dos quais tem informação."Temo que esses
povos sejam extintos, sem que os senhores venham a conhecê-los". Concluiu
se emocionante testemunho denúncia " Apenas queremos a dignidade de ir e
vi e viver. Queremos a terra para viver dignamente.
Nailton Pataxo-Hã-Hã-Hae, em sua
apresentação falou da emoção de estar participando desse ato, como um dos
testemunhos do massacre, opressão e do assassinato de mais de 30 membros de seu
povo nessa luta pela reconquista de seu território. Lembrou do grande
sofrimento e opressão, que gerou uma descrença quanto à Justiça e uma
desesperança quanto à garantia dos direitos de seu povo. Por essa razão eles
tomaram a iniciativa de buscar a justiça retomando seu território, em abril
desse ano. Ao agradecer a todos os apoiadores e aliados lembrou "Nosso
problema está resolvido, mas vamos lutar agora para resolver o problema de
todos os índios do Brasil". Fez referencia à gravíssima situação dos
Kaiowá Guarani no Mato Grosso do Sul e sugeriu "Que o acampamento Terra
Livre seja realizado em áreas de luta pelos direitos, sendo dois dias de
conversa e três de limpeza".
Na segunda parte do ato foi lançada a
campanha, articulada pela Associação dos Juízes pela Democracia - AJD e pelo
Cimi, "Em defesa da Causa Indígena".
A Campanha www.causaindigena.org.br
busca amplo apoio aos direitos dos povos indígenas, em especial pela
terra e vida dos Kaiowá Guarani e contra a PEC 215, que é um dos projetos de
lei que visa tirar os direitos indígenas garantidos pela Constituição e
legislação internacional.
Egon Heck
Povo Guarani Grande Povo, Cimi 40 anos
www.egonheck.blogspot.com.br
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